Ainda são muitas as dúvidas sobre a causa do acidente de helicóptero que provocou a morte da antiga estrela de basquetebol e da NBA Kobe Bryant, aos 41 anos, e de outras oito pessoas, entre as quais a sua filha Gianna, de 13 anos. Contudo, à medida que a investigação à causa do acidente prossegue, a imprensa norte-americana vai já revelando alguns detalhes sobre o percurso da aeronave Sikorsky S-76 durante o voo.

O jornal Los Angeles Times, por exemplo, reconstituiu o percurso do helicóptero a partir de informação de radares e sites de rastreio de viagens aéreas. Os dados levantam mais perguntas do que dão respostas, mas permitem concluir que, depois de levantar voo por volta das 9h06 (horas locais), bastaram onze minutos para que o piloto do Sikorsky S-76 que transportava Kobe tivesse divergido daquela que é a rota habitual nas viagem entre o aeroporto John Wayne, em Orange County, e o destino final do voo: Thousand Oaks.

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A fase da viagem que levanta alguma perplexidade aos investigadores é aquela em que o helicóptero voou — durante curtos minutos e antes mesmo de mudar de rota— em nevoeiro cerrado e numa zona aérea com grande densidade de nuvens. Perante este cenário meteorológico, aponta o Los Angeles Times, o helicóptero “subiu rapidamente”, elevando a altitude em cerca de 266 metros em apenas um minuto.

Não se sabe ainda o que motivou exatamente a decisão de elevação de altitude do helicóptero por parte do piloto, Ara Zobayan, de 50 anos, mas numa comunicação feita poucos minutos antes da queda do avião, este terá dito que estava a subir para evitar “uma concentração nuvens”, segundo referem agentes federais citados (anonimamente) pelo LA Times. Algumas testemunhas no solo, citadas pelo jornal The New York Times, relataram que viram o helicóptero a voar “por uma concentração de nuvens e nevoeiro segundos antes de ter batido”.

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À subida seguiu-se a alteração de rota já mencionada, com uma viragem à esquerda e uma descida rápida e a pique sobre a estrada Las Virgenes. Na altura em que tomou esta última decisão, o piloto já teria “perdido contacto com os controladores aéreos”, de acordo com gravações de voz a que o jornal norte-americano teve acesso.

O The New York Times diz ainda, citando informação de radares, que a aeronave voava a cerca de 244 quilómetros por hora quando embateu numa encosta — ao passo que o LA Times avança que a velocidade seria de perto de 281 km/h. O piloto deverá ter falhado a tentativa de contornar o obstáculo que acabou por fazer o helicóptero cair por seis a nove metros, ainda segundo o mesmo meio de comunicação norte-americano.

O Los Angeles Times cita, contudo, um dos investigadores do acidente, Bill English, que explica porque é que não é garantido que o voo tivesse sido bem-sucedido, caso o piloto tivesse conseguido contornar aquela encosta que provocou o acidente: “Há outras montanhas ainda mais altas em torno daquela encosta”, apontou o especialista.

Poucos dias depois do acidente, ficou a saber-se também que o helicóptero não tinha um sistema de alerta recomendado para avisar o piloto quando estava demasiado perto do solo. No entanto, os investigadores não conseguiram ainda confirmar se essa tecnologia teria ou não conseguido evitar o acidente. Também foi identificada a falta de uma caixa negra com gravador de dados de voo”.

O The New York Times avançou ainda que o piloto não tinha autorização legal para voar naquele momento — face às condições meteorológicas e pouca visibilidade — e com aquela aeronave, já que a proprietária do helicóptero, a Island Express Helicopters, “não tinha a certificação federal necessária”.

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Entretanto, a empresa, Island Express Helicopters, suspendeu as suas operações. O LA Times lembra que o modelo Sikorsky S-76 foi promovido pela fabricante como um avião que permitia “uma experiência de voo premium” e que este modelo já transportara gente como “o Presidente dos EUA e a Família Real Britânica”.