Se o MX-5 é (só) o roadster mais vendido do mundo, o CX-3 é um dos SUV mais apreciados da gama da Mazda, sobretudo em Portugal, mercado onde, desde que surgiu, conquistou clientes por aliar qualidade de construção a um design atraente, argumentos a que soma as suas dimensões compactas. Um parceiro perfeito para a cidade, portanto, e que permitia aos clientes com um orçamento mais limitado, sem possibilidade de adquirir o maior CX-5, preencher à mesma os requisitos da família. Sucede que, agora, quem quiser comprar um MX-5 ou um CX-3 e tentar antecipar a visita ao concessionário com a recolha de mais informação no site da marca em Portugal, tem uma surpresa.

Quem aceder à página web da Mazda, verifica que CX-3 e MX-5 deixaram de anunciar preços, ao contrário do que sucede com os outros modelos da marca em comercialização no mercado português. Em lugar de um valor indicativo, surge a informação de que o preço está disponível “sob consulta” e que o potencial interessado na aquisição de um destes modelos deve dirigir-se a um concessionário da marca. Então, o que aconteceu?

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Ao que apurámos, a estratégia portuguesa não difere da de outros países, como Reino Unido ou Espanha. Lá, como cá, o fabricante tem de lidar com a nova regulamentação europeia em matéria de emissões, razão pela qual decidiu retirar do mercado modelos que lhe prejudicariam as contas e que o colocariam em risco de vir a ter de pagar pesadas multas. O que não significa, porém, que CX-3 e MX-5 tenham desaparecido da oferta da marca. Na prática, quem quiser comprar uma destas propostas, pode ainda continuar a fazê-lo porque a marca criou em 2019 um “pulmão” para 2020. E é à luz desta novidade que se tornam mais compreensíveis os dados divulgados pela ACAP, referentes às vendas de Dezembro passado, mês em que a marca nipónica registou um crescimento de 229,2%, por ter “saltado” de 202 unidades transaccionadas em Dezembro de 2018 para 605 novas matrículas.  Uma estratégia em que a Mazda esteve longe de estar sozinha, pois foi essa a tendência entre diversos fabricantes, não só em Portugal como na Europa. Graças a esse “pulmão”, quem quiser adquirir um MX-5 ou um CX-3 vai poder continuar a fazê-lo, comprando uma unidade já registada – e daí o desaparecimento do configurador no site da Mazda em Portugal.

O construtor japonês ainda não se pronunciou oficialmente a este respeito, mas a imprensa internacional adianta que se trata de uma situação temporária, para ajustar a oferta à necessidade de cumprir as novas regras antipoluição. Espera-se que, ainda este ano, o CX-3 regresse ao mercado com mecânicas mais eficientes. Não há alternativa a não ser render-se à electrificação, sendo provável que a marca opte pela hibridização ligeira para reduzir consumos e emissões e, sobretudo, garantir vantagens fiscais e um preço mais competitivo. Uma hipótese é adoptar o esquema mild hybrid com o motor a gasolina SKYACTIV-G 2.0 que já equipa o novo CX-30. Este, embora 12 cm maior e mais pesado do que o CX-3, anuncia um consumo 0,4 l/100 km inferior e menos 8g de CO2/km (141 em vez de 149 g).

O MX-5 estará numa situação mais delicada, pois mesmo o motor menos potente (o 1.5 a gasolina de 132 cv) anuncia bons consumos (5,2 l/100 km), mas 143 g de CO2/km – isto em NEDC, um ciclo mais desajustado da realidade do que o WLTP. Contudo, essa realidade deverá mudar em breve, pelo que não será necessário esperar muito pelo retorno do popular roadster.