Foi inicialmente desenvolvido para fazer frente aos modelos mais puristas da Porsche, uma vez que seriam estes os principais alvos a abater quando se fala no puro prazer de condução e é precisamente neste sentido que o Jaguar F-Type continua a ser desenvolvido. A sua nova geração está mais elegante e sofisticada, mas também conta com algumas novidades do lado da engenharia. E, para descobrir tudo o que o novo F-Type tem para oferecer, a marca convidou-nos para uma autêntica viagem a bordo de toda a gama, usando as estradas mais apaixonantes do nosso país como cenário.

Tudo começa no parque de estacionamento do aeroporto do Porto, em que nos é entregue a chave do F-Type equipado com uma nova motorização de 2 litros da família Ingenium, com quatro cilindros em linha e 300 cv de potência, obtidos com a ajuda de um sistema de sobrealimentação. A tracção é feita apenas às rodas traseiras e a caixa é a automática de oito relações.

Por se tratar de uma First Edition, disponível apenas durante o início da comercialização deste modelo, o interior tem um tom vermelho Mars, com costuras a condizer e assentos com um apoio lateral quase irrepreensível e que nos acomoda da melhor forma ao volante deste modelo.

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A posição de condução é perfeita, tal como é exigido num modelo com estas características, e mal podemos esperar para arrancar em direcção às estradas do Douro e à apaixonante e retorcida N222, já considerada a melhor estrada do mundo. Mas, antes, é obrigatório descobrir a maioria das diferenças visuais deste modelo face ao seu antecessor.

Esteticamente, o que muda?

Na traseira notamos que as ópticas têm ângulos mais definidos e que a iluminação em LED já permite não só a inclusão dos sistemas dinâmicos de indicação de mudança de direcção, mas também uma coreografia visual de iluminação sempre que trancamos ou destrancamos o carro. O para-choques conta com um novo extrator de ar e esta versão destaca-se pela saída de escape central de desenho rectangular.

Na frente, os novos grupos ópticos conferem um visual mais desportivo ao F-Type. Têm um formato mais esguio e estão colocados numa posição mais baixa. Em conjunto com grelhas de maiores dimensões, deixam o F-Type com uma imagem bem mais agressivo e com uma maior noção de largura, ainda que todo o conjunto também pareça estar numa posição mais baixa. As jantes de liga leve com 20 polegadas de diâmetro contribuem para a imponência do F-Type, mas tanto a grelha lateral com o logótipo da marca, como o visual apaixonante que se mantém desde o modelo que já conhecemos, não deixam que o F-Type passe despercebido em lado nenhum.

Saindo do Porto em direcção às margens menos habitadas do Douro, os primeiros quilómetros são feitos em autoestrada e conseguem revelar um elevado conforto para um modelo de características mais desportivas e um ambiente a bordo cuidado, com uma qualidade de construção bastante elevada e com uma escolha de materiais efectuada com paixão, especialmente nesta First Edition com que começámos esta viagem.

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A posição de condução é de facto perfeita e mal damos pela soma dos quilómetros no totalizador até chegarmos à zona de Peso da Régua, onde entramos na N222 mesmo colada ao leito do Douro. A passagem de uma curva para outra, em conjunto com pequenas subidas e descidas assume-se como uma espécie de coreografia para o F-Type, que parece estar a apreciar cada momento tal como nós, que vamos ao volante a sentir perfeitamente a estrada e tudo o que está a acontecer nos quatro cantos da carroçaria.

Depois de um almoço com vista para o vale do Douro, seguimos num ritmo mais dinâmico pela melhor estrada do mundo, com a sorte de a termos praticamente só para nós na maior parte do tempo. As novas afinações da suspensão e das barras estabilizadoras deixam o F-Type ainda mais interessante de conduzir, confirmando aquilo que a marca apregoa para este modelo. A experiência de condução mais gratificante para o condutor inclui uma direcção milimetricamente precisa e uma presença em estrada com uma estabilidade incrível.

Sem capota… envolvimento total!

O modelo que se segue é o descapotável, com um visual igualmente apaixonante, mas com as quatro saídas de escape traseiras a identificarem a presença do motor de oito cilindros, até pela melodia com que nos presenteiam desde o início. Com este formato de carroçaria, a capota é para manter aberta, aproveitando para apreciar ainda mais todo o cenário que nos rodeia, mas também para ouvir melhor o som que sai pelos escapes e que ganha uma nova alma sempre que o ponteiro (digital) do conta-rotações ultrapassa as 3.500 rpm.

Com a capota aberta, a envolvência a bordo ganha ainda outra dimensão, mas com o sol a desaparecer por trás da serra, a temperatura está agora a descer e é o momento certo para usarmos o aquecimento do volante que faz parte do equipamento R-Dynamic. Com os vidros para cima e o corta-vento atrás dos assentos, vive-se perfeitamente a bordo do F-Type Convertible, ainda que o ambiente sugira uma condução mais tranquila e apreciadora do ambiente de serra que temos à nossa volta.

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É o momento certo para descobrir o Spotify já integrado no sistema de entretenimento, mas também as novas possibilidades de ligação a smartphone, através das funções Android Auto e Apple CarPlay. O novo sistema Touch Pro permite actualizações OTA (over-the-air), pelo que estará sempre equipado com diversas das novidades que a marca poderá lançar no futuro. De resto, a bordo, a grande novidade é o novo painel de instrumentos totalmente digital e personalizável, consoante o modo de condução que está selecionado. Todos os componentes restantes e o seu desenho, passam directamente do F-Type que abandona agora o mercado.

Elementar: não colocar a carruagem à frente dos cavalos

A chegada ao Fundão já se faz de noite, mais do que a tempo de ouvirmos a apresentação de design, com algumas das ideias que fundamentaram a criação do F-Type. A herança da marca neste tipo de modelos é grande e começa com um princípio básico de colocar os cavalos na parte da frente e a carruagem atrás. Uma solução vencedora ou apenas uma provocação à marca que não segue esta receita e que a Jaguar tem na mira com o seu F-Type, mas que deu origem a modelos como o XK120 Coupé de 1951 ou o E-Type Coupé de 1961.

Na nova geração do F-Type, tal como já referimos, o elemento mais diferenciador está mesmo na secção dianteira, com os novos grupos óticos horizontais e muito esguios, que incluem um novo sistema de iluminação totalmente em LED e a assinatura visual da marca, com o “J” de maiores dimensões e mais evidenciado graças ao formato mais amplo das óticas. Com esta opção, o F-Type parece ficar ainda mais baixo e mais largo, mas também mais próximo da imagem de família da marca que temos conhecido nos últimos anos.

Despertar com o V8 de 575 cv: “Bom dia!”

O segundo dia do evento desperta com um manto de nevoeiro encostado à serra. À saída do hotel estão todas as três versões desta nova geração do Jaguar F-Type, mas o dia seria brindado com a presença da versão R, a mais potente de toda a gama. Acordamos o V8 de 575 cavalos a frio e deixamo-lo respirar um pouco, enquanto alimentamos o Instagram com o tom amarelo da sua carroçaria. A versão R conta com alguns elementos diferenciadores pintados de negro nas entradas de ar e na grelha dianteira, mas o extrator de ar também é mais opulento, até porque se encontra pintado no mesmo tom de amarelo da carroçaria.

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Ainda antes de arrancar, este é o modelo que nos deixa a pensar na explicação que nos deram ainda antes de sairmos do hotel e que nos falava da suspensão de triângulos sobrepostos em ambos os eixos, na nova afinação da suspensão e das barras estabilizadoras, mas também da direção, do diferencial traseiro com controlo eletrónico. Apesar de apenas estar disponível na versão de quatro rodas motrizes, a maior percentagem de potência continua a ir para as rodas traseiras, em prol do prazer de condução.

Mas depois de tudo isto, e da serra retorcida com nevoeiro, o ponto da apresentação com que mais acabamos por concordar é na elevada recompensa que o F-Type tem disponível para quem se dedica a conduzi-lo da forma mais empenhada possível. Esta versão mais potente ganha velocidade a um ritmo incrível em qualquer pedaço de recta, desafiando depois o sistema de travagem antes da próxima curva. E depois dos diversos quilómetros efectuados em estradas de serra e autoestrada, não há como esconder um sorriso de satisfação sempre que estacionamos o F-Type no destino.

O Jaguar F-Type continua destinado às pessoas que desejam ter uma ligação mias emocional com o seu automóvel. E com esta nova geração, há diversos momentos em que essa ligação fica mais do que garantida. O primeiro olhar no parque de estacionamento, o entrar no habitáculo, o som dos escapes quando ligamos o motor e todas as reacções e emoções que chegam até nós numa mais retorcida estrada de montanha.

E quanto custa?

Os preços do novo Jaguar F-Type Coupé começam nos 81.717€ da versão Standard com o motor de 2 litros e 300 cv. A opção 5.0 V8 de 450 cv custa 135.161€ e apenas está disponível com o nível de equipamento R-Dynamic, enquanto a opção R mais potente, com o mesmo bloco de cinco litros, mas com 575 cv, está disponível por 169.868€. Se preferir a melhor vista para o céu, a versão Convertible e a sua capota de lona têm um preço base de 89.189€. Com o motor de 450 cv, os valores começam nos 142.639€ e a mais desportiva versão R já custa 176.573 euros.

A versão menos potente do motor V8 poderá ser adquirida com tracção traseira ou com tracção integral, o motor de 2 litros apenas com tração traseira e o mais potente F-Type R só está mesmo disponível com tracção integral.

Comum a todas as versões é a caixa automática de oito relações, ainda que com afinações especificas para que a maior parte das pessoas não sinta saudades da caixa de velocidades manual.