A Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra suspendeu até ao final da próxima semana todas as aulas práticas que envolvem o contacto com doentes, na sequência do recente regresso de vários estudantes de zonas de risco de propagação do coronavírus, incluindo Itália, disse esta quarta-feira ao Observador o diretor daquela faculdade, Carlos Robalo Cordeiro.

Até ao dia 6 de março — altura em que os últimos estudantes terminam o seu período de quarentena voluntária —, todas as aulas práticas de Medicina em Coimbra serão feitas apenas em ambiente de sala de aula, não havendo contacto com os doentes no Centro Hospitalar Universitário de Coimbra.

“Todo o ensino prático da Faculdade de Medicina, durante estas duas semanas, concretamente até dia 6 de março, que é no final da semana que vem, não será interrompido, mas será lecionado em ambiente de sala de aulas e nunca em internamento ou em ambiente onde os doentes farão exames e meios complementares de diagnóstico”, confirmou Carlos Robalo Cordeiro.

Os estudantes que regressaram de Itália há menos de 14 dias (a propósito da interrupção letiva pelo carnaval) aceitaram ficar em casa sem qualquer prejuízo para o seu plano de estudos, acrescentou Carlos Robalo Cordeiro. “Houve um acordo e uma compreensão da parte dos alunos que estão ou estiveram nessas regiões para que não circulem neste momento nas nossas zonas”, disse o diretor da faculdade. “Têm tido uma atitude muito cooperativa, no sentido de entenderem que deverão ter alguma reserva de convívio e abster-se, neste momento, de frequentar as aulas.”

A decisão de suspender todo o contacto com os doentes foi tomada porque os alunos que regressaram de Itália há menos de 14 dias não entraram de imediato em quarentena voluntária — uma vez que ainda não havia notícias da gravidade da situação naquele país — e chegaram a estar em contacto com alguns colegas.

Assinalando que “não há qualquer suspeita sequer, dentro deste universo estudantil, que se mobilizou destas regiões” de que alguém esteja infetado, Carlos Robalo Cordeiro sublinhou que a suspensão do contacto com os doentes teve de ser feita por motivos de prevenção.

“Simplesmente, eu acho que estas medidas devem ser tomadas, no sentido de prevenir, uma vez que estes estudantes já circularam por aqui nos últimos dias. Agora é que estão em recolhimento, mas antes não estavam. Julgo que nenhum aluno, neste momento, deve obviamente estar a contactar com doentes”, afirmou o diretor da faculdade.

Além destes quatro alunos que regressaram recentemente de Itália, há outros nove estudantes de Medicina de Coimbra que estão em Erasmus em Itália e que já manifestaram vontade de regressar a Portugal. “Não pretendem continuar em universidades que, inclusivamente, estão fechadas”, sublinhou o diretor.

As medidas tomadas pela faculdade decorrem da “especificidade no ensino da Medicina”, que “inclui o contacto com doentes, com pessoas fragilizadas, com pessoas que estão em situações que as tornam um pouco mais suscetíveis para qualquer tipo de contaminação ou de infeção”. As restantes faculdades e unidades de investigação da Universidade de Coimbra estão a seguir, de modo genérico, as normas divulgadas pela DGS, acrescentou Carlos Robalo Cordeiro.

O surto de coronavírus, que apareceu em dezembro do ano passado na cidade chinesa de Wuhan, já atingiu mais de 81 mil pessoas em vários países do mundo, tendo provocado a morte a perto de 2.800 pessoas. Um português foi infetado com o vírus e está hospitalizado no Japão. O coronavírus entrou recentemente no território europeu a partir do norte de Itália, estando a espalhar-se por vários países da Europa nos últimos dias.