Esqueça os motor V6 sobrealimentados com apenas 1,6 litros de capacidade, como os que equipam os F1, ou os motores eléctricos que ajudam os F1 modernos a superarem, por vezes, os 1000 cv. A partir de agora, a Ferrari vai fabricar outro tipo de “máquinas”. Não destinadas a atingir velocidades e acelerações incríveis, mas sim a meter ar nos pulmões dos infectados pelo coronavírus.

A equipa de F1 da marca italiana, conhecida como Scuderia Ferrari, está apostada em participar activamente no combate à doença. Com os Grandes Prémios de F1 a continuarem a ser anulados – assim aconteceu com as duas primeiras corridas da época –, a Scuderia aproveitou o tempo livre para colocar todo o seu potencial tecnológico para ajudar Itália a lutar contra a Covid-19.

Além das luvas e das máscaras, são os ventiladores que mais fazem falta aos hospitais. Isto levou a Ferrari a concentrar a sua ajuda no equipamento médico que mais escasseia. Para que os ventiladores comecem a sair da linha de montagem da Scuderia, a Ferrari fechou um acordo com outra empresa italiana, a Siare Engineering International Group, com sede nos arredores de Bolonha, especializada neste tipo de equipamentos, que consegue produzir até 150 unidades. Contudo, para suprir as necessidades de Itália, seria necessária uma fabricação de 2500 ventiladores e é exactamente aí que entra a Ferrari, em paralelo com a Fiat Chrysler Automobiles.

Esta não é a primeira vez que a Ferrari coloca o seu potencial fabril ao serviço da medicina. Há 15 anos, uma delegação do hospital infantil Great Ormond Street, em Londres, deslocou-se a Maranello, a sede da Ferrari, para tentar incrementar a eficiência do funcionamento das salas de cirurgia e do método utilizado na deslocação dos doentes. Recorrendo ao equipamento de análise da Scuderia, o mesmo que é colocado ao serviço da equipa de F1, foi possível sugerir mudanças em ambas as situações, que se traduziram numa redução de erros na deslocação dos doentes em 42%, enquanto as perdas de informação caíram 49%.