O WhatsApp está a impedir os utilizadores de reencaminharem mensagens que já foram encaminhadas para mais do que um contacto. Ou seja, se a mensagem que recebeu foi reencaminhada por outro contacto, só pode reencaminhar para outro contacto, em vez de cinco, de cada vez.

Como conta a plataforma detida pelo Facebook, “no geral, as mensagens encaminhadas muitas vezes podem conter informações falsas e não são tão pessoais quanto as mensagens típicas enviadas”. Com esta medida, a empresa quer dificultar a propagação de notícias falsas (ou fake news) sobre a Covid-19. No Reino Unido, por exemplo, este tipo de notícias levou a que postes com antenas 5G fossem incendiados.

Postes 5G incendiados no Reino Unido por medo do novo coronavírus

Esta não é a primeira vez que o Facebook impõe medidas restritivas no WhatsApp para tentar mitigar os efeitos das notícias falsas. Em 2019, os utilizadores desta plataforma de chat passaram a estar proibidos de reencaminhar uma mensagem repetida com mais de cinco contactos de uma só vez. De acordo com o WhatsApp, esta medida fez com que o número de mensagens encaminhadas em todo o mundo fosse reduzido em 25%.

O Facebook assume, contudo, que quem encaminha uma mensagem não o faz sempre com maus propósitos ou negligentemente. “Sabemos que muitos utilizadores encaminham informações úteis, vídeos divertidos, pensamentos ou orações que têm um significado especial e pessoal para seus contactos”, assume a plataforma. Mas foi preciso tomar medidas extra.

Nas últimas semanas, muitas pessoas em todo o mundo também têm usado o WhatsApp para organizar homenagens aos profissionais de saúde que estão a trabalhar na linha de frente no combate à pandemia, por exemplo. Entretanto, temos visto um aumento significante na quantidade de mensagens encaminhadas que, de acordo com nossos usuários, podem contribuir para a disseminação de boatos e informações falsas”, afirma o Facebook.

A empresa assume que esta medida não acaba com o fenómeno das notícias falsas. Vai haver mais passos, mas um utilizador pode continuar a encaminhar mensagens. No entanto, a empresa diz: “Acreditamos que é importante desacelerar a disseminação de mensagens encaminhadas para que o WhatsApp continue a ser um espaço seguro para conversas pessoais”.

No mesmo comunicado, o Facebook afirma que está a trabalhar “diretamente com governos e organizações não governamentais, incluindo a Organização Mundial da Saúde (OMS) e ministérios da saúde de mais de 20 países, para ajudar a levar informações confiáveis à população”. Através de um link, o WhatsApp deixa ainda informações sobre a pandemia e uma mensagem para todos os utilizadores: “Ajude a evitar que os boatos se espalhem”.

Analise cuidadosamente as mensagens que recebe, uma vez que nem tudo o que enviar sobre o [novo] coronavírus pode ser exato. Verifique os factos junto de outras fontes oficiais fidedignas ou de verificação de factos. Se não estiver seguro da veracidade de uma informação, não a reencaminhe“.

O WhatsApp é a plataforma de chat mais utilizada em todo o mundo com 2 mil milhões de utilizadores. O serviço de mensagens instantâneas online que tem por base o número de telemóvel do utilizador foi lançado em 2009. Em 2014, a plataforma foi comprada pelo Facebook por 19 mil milhões de dólares (cerca de 17,4 mil milhões de euros).