Depois de Marcelo Rebelo de Sousa ter telefonado a Luís Pitarma, o enfermeiro português que foi elogiado pelo primeiro-ministro britânico Boris Johnson pelo seu trabalho no hospital londrino de St. Thomas, foi a vez de a primeira-ministra neozelandesa, Jacinda Ardern, contactar a enfermeira Jenny McGee – a outra enfermeira elogiada após ter tratado Boris Johnson durante o internamento com Covid-19. Segundo a imprensa neozelandesa, a governante procurou a enfermeira no Facebook e mandou-lhe uma mensagem – mas ainda está à espera de uma resposta.

Desde que Boris Johnson saiu do hospital e agradeceu especialmente a dois enfermeiros estrangeiros – Luís, do Porto, e Jenny, de Invercargill – que o mundo se mobilizou à procura dos dois profissionais de saúde. E os líderes dos países de origem de Luís e Jenny foram os primeiros. Ambos estiveram ao lado do primeiro-ministro britânico durante 48 horas, quando a situação de Boris Johnson esteve mais grave, e foram eles a razão pela qual o corpo de Johnson “começou a receber oxigénio suficiente“.

Embora nenhum dos enfermeiros tenha falado publicamente sobre o internamento de Boris Johnson, a família de Jenny McGee falou à imprensa neozelandesa sobre o caso. Numa entrevista à TVNZ, os pais da enfermeira explicaram aquilo que a filha lhes contou depois de Boris Johnson ter tido alta do hospital. “Ela disse que tinha tido o tempo mais surreal da vida dela, algo que nunca vai esquecer, que tinha estado a cuidar de Boris“, disse Caroline McGee, mãe da enfermeira, àquela televisão.

Luís Pitarma é de Aveiro e tem 29 anos. Foi ele o enfermeiro português ao lado de Boris Johnson

Ao NZ Herald, o pai da enfermeira, Mike McGee, disse que Jenny só confirmou que tinha estado a tratar de Boris Johnson depois de o primeiro-ministro britânico ter tido alta do hospital. Os pais sabiam que a filha trabalhava naquela unidade, mas não tinham a certeza do envolvimento de Jenny no tratamento de Johnson. “Ela nunca confirmou ou negou que estava envolvida até ele sair do hospital. Depois, ele disse ao mundo“, disse Mike McGee. O pai de Jenny disse ainda que a enfermeira teve “oportunidade de falar” com o primeiro-ministro. “Que mais havia de fazer quando se está a cuidar de alguém durante 24 horas?”

Depois de Boris Johnson ter anunciado o nome dos enfermeiros que cuidaram dele no momento mais complicado, na unidade de cuidados intensivos, Jenny McGee disse à família que não queria publicidade. “Pai, estava só a fazer o meu trabalho, está a cuidar dele como se estivesse a cuidar de qualquer paciente que entrasse pela porta“, disse Jenny ao pai, de acordo com a mesma entrevista. Mas a família não esconde o orgulho. “Estamos todos muito orgulhosos da Jen, não apenas pelo apoio que ela deu a Boris, mas por tudo o que ela tem feito para ajudar as pessoas todos os dias”, disse ao mesmo jornal o irmão da enfermeira, Rob McGee.

Quem também expressou orgulho na filha da terra foi o presidente da câmara de Invercargill, Tim Shadbolt. Em declarações à imprensa neozelandesa, Shadbolt disse esperar que a fama da enfermeira ajude a levantar a moral na região. “Não é assim tão frequente uma enfermeira de Invercargill salvar a vida do primeiro-ministro britânico“, disse o autarca. “É muito raro sermos mencionados na BBC, tenho a certeza de que vai levantar a moral das pessoas.”

Boris Johnson não é o único paciente satisfeito com Jenny McGee. Em declarações à Sky News, um outro britânico, David Cotton, que em 2017 foi tratado pela enfermeira, descreveu-a como uma pessoa “fabulosa”, com um grande “sentido de humor” e “100% profissional“.