A pediatra Maria do Céu Machado alertou esta terça-feira para o risco do agravamento da obesidade e dos problemas mentais entre crianças e adolescentes confinados em casa devido à covid-19, sublinhando que os pais devem estar atentos e redobrarem cuidados.

“Os pais têm de estar muito atentos a alterações, a transformações no estado de humor”, afirmou, assinalando que estas alterações, se forem persistentes, podem ser sinais de problemas de saúde mental, que começam a manifestar-se nas crianças entre os 5 e os 10 anos. E deu o exemplo da depressão e da bipolaridade.

Maria do Céu Machado, que participou numa videoconferência promovida pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, admitiu que num “período de confinamento pode haver agravamento dos problemas de saúde mental” nas crianças e nos jovens.

Um “risco de agravamento” que estendeu à obesidade, devido à falta da prática de exercício físico em casa e a uma alimentação desregrada e tendencialmente mais açucarada.

A pediatra sugeriu que os pais tenham “mais cuidados com a alimentação” e promovam o “exercício físico em família”, em casa ou no exterior, numa saída à rua para “dar uma volta”.

Maria do Céu Machado foi a única participante na videoconferência dedicada ao tema “Crianças e adolescentes fechados em casa”, que decorreu no âmbito do ciclo de conversas digitais “O país que se segue”.

Confinamento pode gerar conflitos

A pediatra Maria do Céu Machado afirmou também que o confinamento em casa intensifica a ligação entre pais e filhos, mas também gera conflitos, que “servem para aumentar a resiliência e a maturidade”.

Segundo a pediatra, o confinamento em casa permite “mais ligação entre famílias”, estando os pais “mais tempo” com os filhos e os filhos com os pais.

Contudo, “estar confinado num espaço é gerador de conflitos”, ressalvou, defendendo que é preciso “respeitar o espaço” de cada um e manter rotinas semanais, envolvendo pais e filhos na “construção destas rotinas”.

Para Maria do Céu Machado, os conflitos “servem para aumentar a resiliência e a maturidade”, desde que pais e filhos “consigam dialogar e fazer qualquer coisa juntos”.

A pediatra salientou de positivo que haja jovens “interessados nas notícias” sobre a pandemia e que a covid-19 desperte “o espírito de solidariedade” em crianças “superprotegidas”, que se apercebem que “o mundo não é o mundo dourado em que vivem”.

Portugal, em estado de emergência até pelo menos 17 de abril, com confinamento social generalizado, regista 567 mortos e 17.448 casos de infeção confirmados, de acordo com o balanço hoje divulgado pela Direção-Geral da Saúde.

Dos infetados, 1.227 estão internados, 218 dos quais em unidades de cuidados intensivos, havendo 347 doentes que recuperaram desde que a doença respiratória aguda, declarada como pandemia, foi diagnosticada no país, em 02 de março.