Não se sabe se as praias já vão estar abertas quando o verão bater à porta, mas, em Itália, já há quem pense em soluções para todos poderem apanhar sol em tempos de pandemia. Um fabricante de plásticos de Modena criou cubículos transparentes, feitos de acrílico, que permitem aos veraneantes manterem o devido distanciamento social, evitando a infeção por SARS-CoV-2.

“Já recebemos vários contactos de operadores turísticos e restaurantes”, contou o proprietário da empresa, Claudio Ferrari, ao jornal italiano La Reppublica, dizendo já ter interessados no seu novo produto. Para além deste, a empresa Nuova Neon Group 2 também criou divisores de mesas, igualmente de acrílico, para que os clientes se possam sentar frente a frente, sem medo de contaminação.

Os cubículos de acrílico criados pela empresa de Modena

Esta semana, a secretária de Estado do Turismo, Lorenza Bonaccorsi, afirmou que os italianos irão à praia no verão. E garantiu que o Governo italiano está a trabalhar para que isso possa acontecer em segurança, criando, se for necessário, novas normas para garantir o distanciamento social nos areais.

A associação de operadores turísticos Federbalneari Italia disse ao La Reppublica estar a preparar-se para a chegada do verão com novas regras auto-propostas como a obrigatoriedade de os veraneantes reservarem uma cadeira de praia, de forma a reduzir o número de pessoas na praia, ou, por exemplo, ter horários diferentes para diferentes faixas etárias

Será esta a visão nas praias italianas no pico do verão?

Já para Fabrizio Licordari, presidente da Assobalneari, a associação de empresários de turismo, os cubículos transparentes não são uma solução viável. “Quem se iria fechar dentro de uma caixa de plástico com 35 graus lá fora? A praia é a liberdade”, disse ao Corriere della Sera.

Defendendo que as máscaras deverão ser obrigatórias, diz preferir ver menos chapéus-de-sol nas praias do que divisórias de acrílico.

Mesmo que ainda sem soluções desenhadas, Lorenza Bonaccorsi diz aos italianos que podem pensar em planear as suas férias “com cautela”, porque não haverá vacina para o coronavírus nessa altura: “Estar fechado numa cidade quente em julho e agosto angustia qualquer um.”

Em Portugal, em entrevista ao Observador, o primeiro-ministro António Costa também disse aos portugueses para não deixarem de fazer planos para as férias, mas pediu que os façam com estadias dentro, e não fora, do país.

António Costa. “Não deixem de planear as férias de verão… cá dentro”