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O número de casos de mortes e infetados na Súecia pela Covid-19, o país que ao contrário de outros países da Europa optou por não encerrar serviços adotando uma estratégia de imunidade de grupo, registou esta quinta-feira um segundo pico com 1.333 mortos (mais 130 que no dia anterior) e 12.540 infetados (mais 613 que no dia anterior). Ainda assim, as autoridades de saúde referem que estes dados acumulam relatórios da Páscoa, que ainda não tinham sido contabilizados, e colocam os números num patamar idêntico ao pico registado antes do dia 13 de abril. O parlamento, no entanto, acabou de aprovar uma lei que confere mais poderes ao Governo para agir.

A Agência de Saúde Pública, segundo esclareceu em conferência de imprensa, esperava mesmo que este aumento de casos fosse maior, uma vez que inclui os tais números não contabilizados da Páscoa e ressalva, por isso mesmo, que este novo número de mortos não ocorreu na totalidade nas últimas 24 horas. “Aumentou um pouco nas últimas 24 horas, mas ainda estamos no nível em que estávamos algumas semanas atrás. Havia algum tipo de pico antes do fim de semana da Páscoa e agora há algum tipo de recessão”, considerou o epidemiologista da Agência de Saúde Pública, Anders Tegnell, citado pelo “The Local“.

Parlamento dá novos poderes ao Governo

Quase uma semana depois de o primeiro-ministro sueco, Stefan Löfven, ter assumido numa entrevista que foram cometidos alguns erros na avaliação que se fez à pandemia provocada pelo novo coronavírus, esta quinta-feira o Parlamento sueco aprovou um novo projeto de lei que dá ao Governo poder para tomar decisões mais rápidas, se necessário, a fim de combater o  novo coronavírus. Esta lei permite a Stefan Löfven limitar, por exemplo, a concentração de pessoas, encerrar centros comerciais, lojas ou restaurantes sem ter que pedir ao parlamento — o que até agora, ao contrário de outros países da Europa, ainda não foi determinado.

Segundo o The Local, no entanto, esta lei não permite um bloqueio total do serviços. Tal teria sempre que ser novamente aprovado pelo Parlamento.

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Por agora a posição de Stefan Löfven é pedir às pessoas que, caso possam, trabalhem em casa, que só façam as viagens estritamente necessárias, evitem visitar os mais idosos e visitas em hospitais, assim como mantenham os cuidados de higiene que permitem evitar a propagação do vírus e a contaminação. Mas são apenas recomendações. Para já, foram apenas proibidos eventos públicos com mais de 50 pessoas, serviço de mesa só em bares e restaurantes, foram proibidas visitas a casas de repouso e recomendou-se o fecho de escolas frequentadas por maiores de 16 anos e universidades. Foram também proibidas entradas na Suécia, exceção aberta para cidadãos nacionais, residentes e profissionais com justificações consideradas importantes,.

Primeiro-ministro da Suécia admite falhas na estratégia contra a Covid-19: “Não fizemos o suficiente”

*artigo corrigido no número de diferença de infetados relativamente ao dia anterior, para 613.