O PCP defendeu na segunda-feira a opção de a China adotar meios de controlo pessoal de doentes em Wuhan, no princípio do surto de Covid-19, mas rejeitou a sua aplicação em Portugal.

“Foi necessário, no início da pandemia, desconhecidas ainda muitas variáveis de propagação do vírus, adotar todas as medidas possíveis para impedir essa propagação”, afirmou Ângelo Alves, da comissão política do PCP, numa conferência de imprensa, por Skype, a partir da sede do partido, em Lisboa, sobre a “situação internacional e o impacto do surto epidémico”.

Mas as situações “não são comparáveis” entre Portugal e a República Popular da China, que o PCP defendeu, contra Trump, os Estados Unidos e “as campanhas de desinformação” que pretendem culpar Pequim “pela epidemia, e colocar em causa a sua reconhecida capacidade no combate ao novo coronavírus”.

A situação entre os dois países não é comparável, argumentou, porque o nível de conhecimento sobre o vírus é hoje muito maior, ao contrário do que acontecia na China há meses, quando esses meios de controlo individual dos doentes foi adoptado.

Além do mais, o “povo português” demonstrou “altos níveis de consciência e de responsabilidade” para as medidas de prevenção e de contenção”.

E Ângelo Alves afirmou que “são desnecessárias medidas que não introduzem elementos novos naquilo que é a necessária precaução e prevenção da propagação do vírus” e que “servem interesses contrários” dos direitos, liberdades e garantias dos cidadãos.

Os comunistas fizeram ainda a defesa da China e criticaram as “irresponsáveis e provocatórias declarações da administração Trump” que são, “além de infundadas acusações, fatores adicionais de tensão na situação internacional“, disse.

Segundo afirmou o dirigente comunista, essas declarações são “mais uma prova de desrespeito pelo direito internacional, bem patente na decisão dos EUA de não cumprir com as suas obrigações no financiamento da Organização Mundial da Saúde”.

A nível global, segundo um balanço da AFP, a pandemia de Covid-19 já provocou mais de 165 mil mortos e infetou quase 2,5 milhões de pessoas em 193 países e territórios. Mais de 537 mil doentes foram considerados curados.

Em Portugal, morreram 735 pessoas das 20.863 registadas como infetadas, de acordo com a Direção-Geral da Saúde.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.