Itália, Espanha, Brasil, Reino Unido, EUA, Eslovénia e Sérvia são alguns dos vários países por onde já passou ou ainda vai passara a campanha de sensibilização “A restauração agora a #RESISTIR”, iniciativa 100% portuguesa que em poucos dias já está a ser partilhada nas redes sociais de vários grandes restaurantes europeus.

“Assim que começaram a surgir os primeiros alertas e os encerramentos voluntários de restaurantes surgiram uma série de grupos de discussão entre pessoas do meio da restauração”, conta ao Observador Paulo Amado, líder da plataforma Etaste e responsável por este trabalho que vai circulando pela internet. Logo nessa fase, conta, começou a tornar-se óbvio que a restauração iria ser um dos setores mais afetados pelos efeitos secundários da crise sanitária.

Amado diz que uma das primeiras decisões foi transformar o seu site, etaste.pt: de plataforma noticiosa dedicada à restauração passou a ser uma espécie de ponto de apoio que fornecia informações legais, anunciava novas medidas e mostrava a realidade de cozinheiros de todo o país em primeira pessoa (os “Diários #resistir”). Assim que essa fase se consolidou surgiu a ideia do pequeno filme que agora tem estado a ser partilhado e repartilhado. “O nosso contributo pretendia sinalizar a restauração como fazendo parte de tanta coisa na nossa vida, como ponto de  emoção e partilha entre as pessoas”, explica.

A um texto de Paulo Velez que pretende aludir às emoções que uma passagem por um restaurante pode causar juntaram-se imagens de cadeiras vazias, em vários restaurantes, e daí nasceu este vídeo que tem uma mensagem clara: “Tome conta do seu restaurante preferido”, seja através da compra de vouchers ou da utilização dos serviços de take-away ou entregas.

O restaurante Sant Celoni (duas estrelas Michelin), e os do chef Paco Roncero (que tem duas também), já partilharam o vídeo português.

A primeira versão do filme foi divulgada em português, com a própria voz de Amado a servir de narrador. Em pouco tempo, porém, começaram a pedir-lhe versões com legendas e isso deu a ideia de levar o projeto mais além. “Comecei a pedir à rede de pessoas que conheço noutros países para alinhar nisto”, conta, e a resposta foi um sim total. “Pusemos a nossa versão do vídeo nas nossas redes e demos aos outros para fazerem o que quisessem”, conta. Isto quer dizer que cozinheiros, empresários e outras personalidades do panorama global da restauração foram abraçando a ideia e desde o inicio desta semana que todos os dias há uma versão do mesmo vídeo, narrada numa língua diferente, a ser divulgada algures no mundo.

Entre as “vozes” destas versões também há chefs: é Ljubomir Stanisic que dá voz à versão em sérvio, por exemplo, e o britânico Shay Ola (do restaurante “Queimado”, em Lisboa) narra a inglesa. Entre os restantes “narradores” surge o historiador e gastronómico brasileiro João Ferraz, a autora eslovena Kaja Sajovic, a consultora espanhola Susana Nieto Muñoz e muitos outros.

“Não temos nenhum interesse nisto sem ser o da bondade. O setor está todo no mesmo nível, a lutar pela sobrevivência, e isto é um sinal para o público perceber que o seu restaurante favorito precisa de um pouco de atenção”, diz Paulo Amado.