A Comissão Municipal de Proteção Civil de Matosinhos confirmou esta quarta-feira que está a trabalhar na mobilização de utentes do Lar do Comércio para instituições externas. “Esta decisão, sempre considerada como último recurso, vem na sequência de dificuldades que o lar continua a apresentar nos recursos humanos necessários para garantir aos utentes, positivos ou negativos, cuidados básicos.”

Assim, avança a autarquia de Matosinhos em comunicado, está programado para esta quinta-feira o início da mobilização externa de 48 utentes dependentes, não infetados com a Covid-19, para o Centro de Neurointervenção da Cruz Vermelha, em Vila Nova de Gaia e para o Hospital das Forças Armadas do Porto, por um prazo máximo de 8 dias.

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Segundo o mesmo documento, irá também proceder-se à mobilização para o Centro de Apoio Comunitário de Matosinhos dos 11 utentes com o novo coronavírus até recuperarem da infeção. A Comissão Municipal da Proteção Civil de Matosinhos avança que as 78 camas disponibilizadas pelo município para as instalações do infantário podem acomodar temporariamente 70 utentes autónomos que testaram negativo para a Covid-19.

“Os restantes utentes negativos poderão ser acomodados nos pisos 0 e 1 onde atualmente se encontram utentes positivos, após limpeza/desinfeção terminal do Lar do Comércio, que está a ser preparada pela Proteção Civil em articulação com o Exército Português. Esta operação será coordenada pelo Comando Distrital de Proteção Civil.”

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A autarquia de Matosinhos entende que, imediatamente após estas mobilizações e no período máximo de 8 dias, o Lar do Comércio terá de “garantir a reorganização de serviços e procedimentos e garantir a contratação de recursos humanos adequados a receber e cuidar da totalidade dos seus utentes”, não afastando a possibilidade de mobilizar mais utentes.

Contactado pelo Observador, o lar garante que partiu da própria instituição o pedido para que, entre as autoridade que se tinha oferecido para ajudar  – Câmara Municipal de Matosinhos, Proteção Civil, Segurança Social e Delegação de Saúde – “fossem encontrados quadros que pudessem reforçar as pessoas que estão atualmente a trabalhar, designadamente auxiliares de ação médica, administrativos e assistente social”.

O Lar do Comércio adianta ao Observador que “já tinha, aliás, apresentado candidaturas para o mesmo efeito junto do IEFP e recorrido à contratação direta”, explicando que dos 143 funcionários que tem no quadro, conta atualmente com cerca de 60. “Isto devido a baixas médicas, infetados por Covid-19, pessoas em isolamento profilático, quarentena e acompanhamento de filhos.”

Sobre a possibilidade de contratar mais pessoas, o Lar do Comércio avança que tem vindo a fazê-lo através da contratação de equipas externas de prestação de serviços em áreas diversas (médica, enfermagem, limpeza, lavandaria etc). “Continuaremos a fazê-lo de forma a assegurar os cuidados necessários ao acompanhamento dos nossos utentes, cuja fragilidade nos merece especial atenção e a reorganizar os serviços da melhor maneira.”

“Recorde-se que o Lar do Comércio tinha levantado primeiro a hipótese de evacuação da instituição, tendo abandonado posteriormente essa intenção e acordado com as autoridades locais um plano de mobilização interna, complementado agora com a transferência externa dos utentes dependentes e dos utentes Covid 19 positivos, para serem tratados no Centro de Apoio Comunitário de Matosinhos.”

Ao Observador, o Lar do Comércio assegura ainda que “está a contactar as famílias de todos os utentes que irão ser transferidos, pondo-os a par da nova situação.” O lar contabiliza até ao momento 22 mortes por Covid-19, 18 utentes hospitalizados e 10 utentes positivos.