A discussão já não é sobre se se diz “guife” ou “gife” (foneticamente é “guife”, isso já foi discutido). Agora, a discussão é se o Facebook pode avançar com a compra do Giphy por 400 milhões de dólares, o maior serviço online para criação e partilha destas imagens animadas. Como conta o The Verge, o anúncio desta aquisição já faz “soar alarmes” no Congresso dos EUA e pode mudar plataformas como o iMessage (da Apple), o Twitter ou o Tik Tok.

O Giphy permite criar e partilhar facilmente Gifs na maioria dos sites na internet. A título de exemplo, é a plataforma que o Observador tem utilizado para fazer análises a telemóveis com estas imagens e que permite deixar abaixo (na maioria das plataformas) imagens bastante partilhadas como esta:

Mesmo quando não é possível ver a imagem animada, a plataforma permite deixar uma hiperligação na qual o leitor pode carregar para ver o que se pretende mostrar. Para quem cria conteúdo online, os gifs são ferramentas eficientes para mostrar vídeos, ou imagens animadas, porque têm muito menos definição, tornado os sites mais rápidos para os utilizadores.

Ora, sendo o Ghipy a plataforma mais utilizada para a partilha destes conteúdos, o Facebook, que detém a rede social com o mesmo nome e outras redes como o Instagram ou o WhatsApp, comprou a plataforma. Ao avançar com esta aquisição, o Facebook diz que vai pôr a equipa do Instagram responsável pela sua gestão, melhorando a integração destes serviços. O objetivo, como foi revelado, é fazer com que seja ainda mais fácil criar ou enviar mensagens e stories com gifs. Como este que se tornou viral, por exemplo:

Contudo, o Giphy não é só utilizado pelo Instagram. Sendo uma das plataformas mais conhecidas, é utilizado por serviços como os referidos acima, o iMessage (da Apple), o Twitter ou o Tik Tok, entre muitos outros. O The Verge refere que é “bastante provável que alguns destes serviços não queiram ter integrado no seu software uma plataforma detida pelo Facebook”. Isto é um problemas acrescido porque o Facebook é conhecido por ter problemas de privacidade no que toca à gestão de dados, principalmente por causa do caso Cambridge Analytica, uma empresa que aproveitou-se do sistema da empresa para obter indevidamente a informação de 86 milhões de contas.

Atualmente, a integração do Giphy na maioria das plataformas impede que esta empresa possa aceder à maioria dos dados de cada utilizados. No entanto, é esta mudança de gestão que já leva empresas como a Signal, que gere uma plataforma e app com o mesmo nome para envio de mensagens seguras pela internet, a ter de responder a dúvidas quanto à privacidade dos utilizadores.

Isto pode ser apenas o início de conflitos com o Giphy. A maioria das plataformas em permitem a integração deste serviço, como o Reddit, o Mailchimp ou até o Snapchat ainda não se pronunciaram quanto a esta questão. Além disso, parece haver mais motivos de preocupações para o Facebook. Sim, há um gif para preocupações.

“O Facebook continua a procurar ainda mais maneiras para recolher os nossos dados pessoais”

Como afirmou o Facebook ao anunciar a compra do Giphy, 50% da utilização desta plataforma provém do Instagram. Nos EUA, isso levou três senadores, um republicano e dois democratas, incluindo a antiga candidata na corrida democrata à Casa Branca, Elizabeth Warren, a levantarem críticas. De acordo com senador republicano Josh Hawley, esta compra significa uma coisa, como disse ao The Verge: “O Facebook continua a procurar ainda mais maneiras para recolher os nossos dados pessoais”.

Este político compara esta aquisição à compra serviço de marketing DoubleClick pela Google. A Google, à semelhança do Facebook, tem recebido críticas fortes, e até coimas, por abuso de posição dominante no mercado após adquirir empresas. “O Facebook quer o Giphy para que pode recolher ainda mais dados sobre nós. O Facebook não deve adquirir nenhuma empresa enquanto estiver sob investigação por práticas de monopólio [antitrust, em inglês] pelas suas compras anteriores “, diz Hawley.

Lembrar que o Facebook também adquiriu plataformas com o Instagram e o WhatsApp e discute-se se o Facebook, enquanto empresa, deve ser desmantelado devido ao poder que tem no mercado.

Chris Hughes: o cofundador do Facebook que agora quer dividir a empresa

Quanto a isto, Warren é perentória e diz: “A aquisição do Facebook é mais um exemplo de uma empresa gigante que usa a pandemia para consolidar ainda mais o poder – desta vez é uma empresa com histórico de violações da privacidade, ganhando mais controle sobre as comunicações online”.

Como Warren, Amy Klobuchar, a terceira senadora deste grupo, também ataca esta aquisição lembrando os problemas que pode surgir: “Muitas empresas, incluindo alguns dos rivais do Facebook, confiam na biblioteca de conteúdo partilhável e outros serviços do Giphy, por isso estou muito preocupada com esta aquisição proposta”.