Julio Anguita morreu neste sábado aos 78 anos, no Hospital Reina Sofia, em Córdova, onde tinha sido internado há uma semana, depois de ter tido uma paragem cardíaca em casa. Foi um dos nomes históricos do Partido Comunista de Espanha (PCE), do qual foi secretário-geral da de 1988 a 1999, e esteve na origem fundação da Izquierda Unida (IU), a frente eleitoral da esquerda radical liderada pelo PCE e do qual Anguita foi coordenador-geral entre 1989 e 2000.

A situação tinha piorado nas últimas horas no hospital, mas os problemas cardíacos acompanharam-no ao longo da vida, como se pontuassem momentos marcantes que deixou na política. Como explica o jornal El País, em 1993 teve um ataque cardíaco durante o período de campanha eleitoral, quando concorria ao cargo de primeiro-ministro. Seis anos depois, em 1999, uma operação e um outro ataque cardíaco obrigou-o a afastar-se da linha da frente da política e a abandonar a liderança do PCE e da IU.

Conhecido como “o Califa Vermelho”, é hoje também recordado por ter dado à Izquierda Unida o melhor resultado eleitoral de sempre, tendo conseguido 21 deputados para o parlamento espanhol em 1996. Para a memória política local, ficam os sete anos que dedicou à cidade onde acabou por morrer: em 1979 foi eleito como presidente da Câmara Municipal de Córdova, tendo sido o primeiro comunista a ganhar umas eleições locais numa capital de província. Anguita não ganhou a maioria absoluta e foi obrigado a liderar uma coligação da qual também faziam parte o PSOE (centro-esquerda) e a UCD (centro-direita), do então primeiro-ministro Adolfo Suaréz. Ficou como alcaide de Córdova até 1986.

A última vez que Julio Anguita foi visto publicamente foi a 4 de maio, quando apareceu num vídeo para apelar aos espanhóis para se manterem em casa. “Nestes momentos de tensão, são necessárias a serenidade, reflexão e ponderação. O amanhã será como sairmos hoje”, afirmou.