Os hóspedes em alojamento turístico terão recuado 97,1% e as dormidas terão diminuído 96,7% em abril face ao mês homólogo do ano passado, numa “interrupção quase total da atividade” do setor devido à pandemia, divulgou esta sexta-feira o INE.

Segundo a estimativa rápida do Instituto Nacional de Estatística (INE) para a atividade turística em abril, neste mês o setor do alojamento turístico (hotelaria, alojamento local com 10 ou mais camas e turismo no espaço rural/de habitação) deverá ter registado 68,0 mil hóspedes e 193,8 mil dormidas, correspondendo a variações de -97,1% e -96,7%, respetivamente (-62,3% e -58,7% em março, pela mesma ordem).

Em abril, no contexto do estado de emergência, cerca de 80,6% dos estabelecimentos de alojamento turístico terão estado encerrados ou não registaram movimento de hóspedes.

As dormidas de residentes terão diminuído 92,7% (-57,6% em março), atingindo 122,9 mil, enquanto as de não residentes terão decrescido 98,3% (-59,2% no mês anterior), situando-se em 70,9 mil.

Os hóspedes residentes terão sido 48,2 mil, um decréscimo de 94,5% (-61,9% em março), e os hóspedes não residentes terão atingido um total de 19,8 mil, recuando 98,6% (-62,6% em março).

Segundo o INE, “a totalidade dos principais mercados emissores registaram decréscimos expressivos em abril, superiores a 95%”, sendo que “o perfil dos poucos turistas que pernoitaram nos estabelecimentos de alojamento turístico neste mês terá sido diferente do habitual”.

Entre as diversas situações reportadas ao INE estão casos de “hóspedes que ficaram retidos em Portugal sem possibilidade de regressarem ao seu país de residência, ou de pessoas que, por motivos profissionais, tiveram de se deslocar no país e pernoitar fora do seu local de residência”.

Os dados da atividade turística de abril hoje antecipados pelo INE baseiam-se na informação primária recolhida até 27 de maio no âmbito do Inquérito à Permanência de Hóspedes na Hotelaria e outros alojamentos.

No destaque habitual sobre a atividade turística em abril, previsto para 17 de junho, os resultados agora publicados poderão ser revistos e acrescentado um maior detalhe na sua apresentação, em função da informação entretanto transmitida ao INE.

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de Covid-19 já provocou mais de 357 mil mortos e infetou mais de 5,7 milhões de pessoas em 196 países e territórios. Mais de 2,2 milhões de doentes foram considerados curados.

Em Portugal, morreram 1.369 pessoas das 31.596 confirmadas como infetadas, e há 18.637 casos recuperados, de acordo com a Direção-Geral da Saúde.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

Depois de a Europa ter sucedido à China como centro da pandemia em fevereiro, o continente americano passou a ser o que tem mais casos confirmados (mais de 2,6 milhões, contra mais de dois milhões no continente europeu), embora com menos mortes (mais de 153 mil, contra mais de 175 mil).

Para combater a pandemia, os governos mandaram para casa 4,5 mil milhões de pessoas (mais de metade da população do planeta), paralisando setores inteiros da economia mundial, num “grande confinamento” que vários países já começaram a aliviar face à diminuição dos novos contágios.