A taxa de desemprego pode estar acima da revelada pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) para março, de 6,2%, e da provisória para abril, de 6,3%. A razão? Os novos desempregados podem estar a ser classificados como inativos já que, devido à pandemia, não puderam procurar ativamente emprego. Nas contas de Francisco Madelino, ex-presidente do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP), citado pelo Negócios, a taxa de desemprego pode estar, afinal, nos 8%.

Esta diferença pode ser justificada pela metodologia usada pelo INE. Nos critérios do instituto, é considerado desempregado quem não tem trabalho, mas procura ativamente emprego e/ou está disponível para trabalhar. Com o confinamento em parte de março e em abril, muitas pessoas que estavam, efetivamente, desempregadas não puderam procurar emprego devido ao recolhimento obrigatório ou porque estiveram a tomar conta dos filhos. Em vez de ser contabilizadas como desempregadas (embora o sejam), são classificadas como inativas.

“Pessoas anteriormente classificadas como desempregadas e pessoas que efetivamente perderam o seu emprego devido à pandemia COVID-19, e que em circunstâncias normais seriam classificadas como desempregadas, podem agora ser classificadas como inativas, devido às restrições à mobilidade, à redução ou mesmo interrupção dos canais normais de informação sobre ofertas de trabalho em consequência do encerramento parcial ou mesmo total de uma proporção muito significativa de empresas, razões pelas quais não fizeram uma procura ativa de emprego (condição essencial para a sua classificação enquanto desempregadas)”, explica o INE, numa nota publicada na terça-feira.

Além disso, “a não disponibilidade para começar a trabalhar na semana de referência ou nos 15 dias seguintes, caso tivessem encontrado um emprego, por terem de cuidar de filhos ou dependentes ou por terem adoecido em consequência da pandemia, leva à inclusão na população inativa”, informa ainda.

Há ainda casos de pessoas que estão em layoff, mas que aparecem como inativas (porque quando são questionadas pelos técnicos do INE dizem não ter disponibilidade para o trabalho), havendo receios de que muitos trabalhadores no regime possam, mais tarde, ser dispensadas quando as empresas avaliarem a situação após o confinamento.

Ao Negócios, Francisco Madelino contabiliza que 100 a 110 mil pessoas “arriscam a vir a ficar desempregadas”.