“Regressam esta semana os jogos da Primeira Liga e com eles toda a emoção em seu redor. Como calcula, é difícil liderar um conjunto de pessoas que neste momento já podem frequentar os seus ginásios, ir à missa e à praia, frequentar os seus cafés e restaurantes preferidos, e depois conseguir impedi-los de apoiar o seu clube. É público que temos intenção de marcar presença no exterior dos estádios onde o FC Porto jogue (…) Ainda assim, conscientes de que este é um problema social e não apenas dos Super Dragões, nada queremos fazer para que alguma instrução da DGS não seja respeitada. Pelo contrário, queremos dar um exemplo de cidadania e de que o regresso à ‘nova normalidade’ poderá ser feito com sentido de responsabilidade”.

Foi assim que Fernando Madureira, líder dos Super Dragões, explicou à diretora-geral da Saúde que a claque do FC Porto ia mesmo marcar presença no exterior do Estádio Municipal de Famalicão, esta quarta-feira. Graça Freitas respondeu, afirmando esperar que os cuidados recomendados pela DGS fossem cumpridos. E contra o Famalicão, nas imediações do recinto, os Super Dragões marcaram mesmo presença para se fazerem ouvir dentro do estádio a apoiarem a equipa mesmo sem estar nas bancadas — depois de acompanhados pelas autoridades no caminho, depois de respeitado o perímetro de segurança e garantido o distanciamento social.

PSP vai criar perímetro de segurança para adeptos do FC Porto em Famalicão

Ainda faltava mais de uma hora para o apito inicial e já centenas de adeptos portistas aguardavam junto às imediações do estádio. Havia os habituais cachecóis, as bandeiras, os tambores, mas desta vez todos estavam com máscara — algumas até personalizadas dos Super Dragões — e obrigados a organizarem-se em pequenos grupos, distanciados uns dos outros. “Ninguém estava habituado a isto. Nós fervemos para estar lá dentro e é muito complicado não ser possível estar no estádio”, desabafa ao Observador Joana Oliveira, uma das adeptas que esperava pelo início do jogo.

A vontade em estar nas bancadas do estádio era muita, mas todos tiveram que fazer a festa cá fora. E se durante a transmissão televisiva do jogo não foi possível ouvir os cânticos e os gritos de apoio dos Super Dragões (no minuto de silêncio realizado em homenagem às vítimas da Covid-19 em todo o mundo era possível ouvir os adeptos do Famalicão mas não os do FC Porto), no exterior os cânticos portistas faziam-se ouvir à distância. Pelo menos durante os primeiros 45 minutos. Fernando Madureira, o líder da claque, andava de lá para cá a puxar pelos centenas de portistas presentes. A determinada altura, o distanciamento social deixou de existir.

O jogo ainda estava empatado a zero quando chegou a hora do intervalo. E foi aí também que grande parte da claque abandonou o estádio e não voltou mais. A partir daí, só existia polícia e os únicos adeptos portistas que se ouviam estavam na mais recente casa de apoio ao FC Porto em Famalicão, onde Pinto da Costa também apareceu durante a tarde. Mesmo ao lado, estava a casa de apoio do Famalicão, onde no final da noite a festa teve direito a fogo de artifício.

No final da partida, Rui Pereira, Subintendente da PSP de Braga fez o resumo da operação policial e deu conta apenas de um adepto identificado pela posse de material pirotécnico. “O resultado final ou praticamente final é na senda daquilo que já tinha sido a nossa tarde de hoje: francamente positivo, não tivemos situação de maior, tivemos apenas um cidadão identificado pelo arremesso de material pirotécnico. O ajuntamento inicial com a chegada das equipas foi-se dissipando e as pessoas foram tentando manter e cumprir as regras atuais, máximos de 20 pessoas num grupo, afastadas. Em quase todos os momentos isso foi possível, numa ou noutra não mas apenas situações pontuais”, disse Rui Pereira.

“Dada a proximidade das cidades, considerámos que poderiam aparecer mais adeptos do FC Porto mas foi uma situação que ficou à consciência de cada um e congratulamo-nos com este resultado em que acabaram por vir poucas pessoas para as imediações do estádio, o que facilita o cumprimento das normais instituídas”, acrescentou o Subintendente. “Na chegada do autocarro, os adeptos ficaram à entrada do perímetro, houve um momento em que foi mais difícil controlar a distância de cada um em relação às outras pessoas mas depois foi-se tentando criar esta nova normalidade e implementar essas distâncias de segurança”, completou Rui Pereira.

Ainda assim, nas redes sociais, surgiram vários vídeos e fotografias da manifestações de apoio dos Super Dragões no exterior do Estádio Municipal de Famalicão. Veja a fotogaleria acima, com vários momentos da presença da claque dos dragões na primeira jornada da Primeira Liga.