Depois de ter afirmado possuir provas de que Maddie está morta, Hans Christian Wolters, o procurador alemão responsável por investigar o caso, admite a possibilidade de procurar o corpo da criança sequestrada em 2007, na Praia da Luz. Como revelou Wolters à Sky News, o objetivo é agora identificar os sítios por onde o suspeito andou após o desaparecimento de Madeleine McCann.

Segundo o Correio da Manhã, a polícia alemã quer agora chegar ao local exato onde foi deixado o corpo de Maddie, para depois proceder ao pedido de autorização para realizar buscar em território português, uma operação articulada com a Polícia Judiciária e a Metropolitan Police.

Procurador alemão sobre Maddie: “Depois de todas as informações que obtivemos, a criança está morta”

Mesmo sem provas suficientes para acusar Christian Brueckner do rapto e da morte de Maddie, Hans Christian Wolters já indicou que existem evidências de que poderá ter sido o alemão a cometer este e outros crimes semelhantes, salientando “britânicos, irlandeses ou americanos” como alvos mais prováveis. “Precisamos de todas as informações daquele período, onde ele morou, onde trabalhou e em que lugares teve relacionamentos especiais, quem eram os seus amigos e as pessoas que conhecia”, afirmou o procurador à Sky News.

A Procuradoria da República da Comarca de Faro anunciou, já esta quarta-feira, que está a proceder a um levantamento dos processos que relacionam o cidadão alemão com outros processos registados na região. “Com vista ao esclarecimento sobre a matéria, o Ministério Público (MP) tem vindo a proceder a um levantamento” de processos que correram termos na comarca de Faro, e que relacionam Brueckner, escreve a Procuradoria na sua página na Internet.

Além do processo de desobediência e furto, no qual foi condenado em Portugal, o MP localizou também cinco pedidos de cooperação judiciária internacional em que é mencionado o nome do suspeito, dos quais quatro “respeitam ao processo em que se investiga o desaparecimento de Madeleine McCann”. Em Portugal o processo do desaparecimento de Maddie foi reaberto em 2013, sem que ninguém tenha sido constituído arguido desde então. A investigação prossegue em cooperação com as autoridades britânicas e alemãs.

Suspeito alemão do desaparecimento de Maddie foi condenado por desobediência e por furto em Portugal

Ao britânico The Times, Hans Christian Wolters, atualmente a conduzir a investigação do caso por parte das autoridades alemãs, revelou entretanto uma nova descoberta, uma conversa tida online com outro pedófilo em que o suspeito mencionava um plano para raptar, violar e matar uma menina. Um forte indício de que, a provar-se que Brueckner foi o autor do crime, Maddie tenha sido morta pouco tempo depois de ter desaparecido.

Com o mesmo jornal, o investigador partilhou uma das expressões usadas pelo suspeito durante a conversa — de “apanhar uma coisa pequena e usá-la durante uns dias”. Questionado no momento pelo seu interlocutor sobre a possibilidade de ser apanhado, Brueckner respondeu: “Meh, se as provas forem destruídas…”.

Poderá Brueckner ter raptado e matado Joana Cipriano?

Com o aparecimento de um novo suspeito no caso Maddie, o padrasto de Joana Cipriano já pediu à Polícia Judiciária e às autoridades alemãs que investigassem o possível envolvimento de Christian Brueckner no desaparecimento da enteada, três anos antes e a oito quilómetros do local onde desapareceu Madeleine McCann.

Leonor Cipriano saiu em liberdade esta quinta-feira: “Não matei a minha filha”

Em declarações ao britânico Mirror, Leandro Silva, de 54 anos, sublinhou o facto de o corpo da menina de oito anos nunca ter sido encontrado, embora o tio, João Cipriano tenha confessado tê-lo lançado aos porcos, cortado em pedaços. “Quando vi que era suspeito de ter raptado a Maddie, pensei logo na Joana e que ele podia estar envolvido. O desaparecimento da minha enteada é um caso que não foi resolvido, independentemente do que dizem as autoridades”, afirmou.

“Para mim, há muitas semelhanças em ambos os desaparecimentos”, continuou. Quer a mãe, Leonor Cipriano, quer o tio, já saíram em liberdade após terem estado detidos pelo homicídio de Joana. Contudo, continuaram a declarar-se inocentes no caso.