Os 22 migrantes oriundos do Norte de África esta segunda-feira intercetados ao largo de Quarteira, no Algarve, testaram todos negativo à Covid-19 e encontram-se bem de saúde, avançou à Rádio Observador a diretora regional do Algarve do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF).

“Os resultados deram todos negativo, portanto nesse aspeto estamos todos mais descansados”, revelou Conceição Bertolo.

Já o diretor adjunto do SEF, José Barão, confirmou ainda, em declarações à Rádio Observador, que está a ser investigada, em articulação com as autoridades espanholas, a possibilidade de Portugal estar a tornar-se numa rota de imigração ilegal, não revelando para já se há suspeitos.

“É natural que, com a chegada objetivamente crescente do número de migrantes, nós tenhamos que ter algumas diligências que permitam compreender o fenómeno não só para combatê-lo, mas também para preveni-lo”, explicou José Barão, lembrando que este é já o quarto barco com migrantes “com proveniência muito próxima” a ser intercetado no Algarve nos últimos seis meses, o que pode indiciar a existência de uma nova rota de imigração ilegal.

Durante a manhã desta segunda-feira, os migrantes tinham sido transportados para uma zona de apoio à população criada no âmbito da pandemia de Covid-19, localizada na Escola EB 2,3 D. Dinis, onde aguardaram os resultados do teste de despiste à doença.

Depois de terem sido intercetados quando se preparavam para desembarcar na Praia de Vale do Lobo, os migrantes foram conduzidos àquelas instalações, onde estiveram entre as 8h e as 12h30, à guarda do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), que os interrogou e procurou saber a sua proveniência.

Segundo o capitão do Porto de Faro, Fernando Rocha Pacheco, os migrantes não traziam consigo documentação e dois deles começaram por revelar “ter entre 16 e 17 anos”, mas “corrigiram depois para os 18 anos”, colocando as idades dos 22 homens “entre os 18 e os 30 anos”.

Revelaram ter saído “há três dias de El-Jadida”, em Marrocos, numa pequena embarcação de madeira com sete metros e lotação para entre sete a 10 pessoas, equipada com um motor de 18 cavalos e outro suplente.

“Em termos náuticos é possível e, se saíram do sítio onde dizem ter saído, são 230 milhas em 46 horas. É possível fazê-lo a cinco nós, embora a embarcação seja pequena e tenha vindo sobrelotada”, calculou.

O também comandante da Zona Marítima do Sul acrescentou “que é preciso proceder a averiguações para verificar ao factos” que o grupo alega, mas reforçou que, com um motor desta potência, seria um viagem feita “num trânsito lento”, que “dá para fazer em três dias”.

A pequena embarcação, com sete metros de comprimento, foi avistada cerca das 4h por um mestre de pesca, que a considerou suspeita por estar “carregada de gente”, avisando as autoridades.

Após o alerta, elementos da Polícia Marítima de Faro e da Estação Salva-vidas de Quarteira iniciaram buscas por mar e por terra, tendo detetado e intercetado a embarcação às 4h50, quando os tripulantes “já se preparavam para desembarcar”.

Os 22 homens foram depois encaminhados para a Estação Salva-vidas de Quarteira, fazendo esse percurso “na própria embarcação” onde foram assistidos, fornecida roupa e testados à Covid-19 pelo INEM .

Este é o segundo caso, em poucos dias, envolvendo migrantes alegadamente de origem marroquina que desembarcaram no Algarve, depois de na passada semana as autoridades terem detetado uma embarcação com sete homens ao largo de Olhão.

Já em 29 de janeiro um outro grupo de 11 migrantes tinha chegado à costa algarvia, antecedido de uma embarcação com oito homens, em 11 de dezembro de 2019.