Aproxima-se o momento em que se vai poder (finalmente) conduzir o novo eléctrico da Volkswagen, o ID.3, o primeiro a ser concebido pelo fabricante germânico a partir de uma folha em branco, ou seja, com chassi optimizado para veículos eléctricos a bateria e produzido numa fábrica específica para este tipo de modelos, deixando antever uma optimização de todos os processos, com maiores vantagens para o utilizador. Até aqui os candidatos a tornarem-se donos dos primeiros ID.3, disponíveis na versão de lançamento denominada 1st, tiveram ocasião de pré-reservar o modelo, contra um depósito de 1000€. Dos 30.000 ID.3 1st disponíveis, 80 foram adjudicados por clientes portugueses.

A 17 de Julho, chegou o momento de formalizar a encomenda e escolher uma das três versões do 1st (a normal, a Plus ou a Max), cujo nível de equipamento sobe ao mesmo ritmo do preço, como habitualmente acontece. A possibilidade de confirmar a compra chega poucos dias depois de a marca ter anunciado mais um atraso na entrega, planeado agora para Setembro.

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Bateria, potência com overboost, autonomia e bomba

Em videoconferência, o porta-voz da marca para a mobilidade eléctrica, Jochen Tekotte, começou por confirmar as capacidades dos diferentes packs de bateria. A mais pequena e barata possui 45 kWh úteis (48 kWh total) e equipará as versões mais acessíveis, ainda não disponíveis. Igualmente indisponível de momento está a bateria mais generosa, com 77 kWh (82 kWh total), enquanto a versão intermédia, com 58 kWh (62 kWh total) é a primeira a ser lançada, alimentando os três níveis de equipamento com que se apresenta o ID.3 1st.

Montando atrás um motor de 150 kW, cerca de 204 cv, na versão de 77 kWh (que limita o espaço no banco traseiro a apenas dois passageiros), o eléctrico alemão permite que as rodas anteriores virem mais, garantindo a este veículo uma capacidade de manobra próxima de um up! (diâmetro de viragem de 10,2 metros contra 9,8), embora tenha as dimensões exteriores de um Golf e interiores de um Passat (em comprimento). Porém, na versão de 58 kWh, a potência pode variar entre 107 e 150 kW (de 145 a 204 cv), atingindo o máximo com a função overboost durante 2 segundos. O mesmo acontece com a bateria mais pequena (45 kWh), onde a potência oscila entre 93 e 110 kW (de 126 a 150 cv), pelos mesmos motivos.

O construtor alemão informou ainda que aguarda os valores de homologação em WLTP, no que respeita ao consumo e autonomia. Mas, de acordo com os seus cálculos, diz acreditar que não andarão longe dos 420 km para o ID.3 1st com 58 kWh, para depois os ID.3 normais, fora desta série especial 1st, anunciarem 330 km de autonomia com a bateria de 45 kWh e 550 km com o pack de 77 kWh. Curiosamente, a VW decidiu avançar que, numa perspectiva mais realista, os condutores deverão contar com apenas 230 km na versão de 45 kWh, 300 km na de 58 kWh e 390 km no ID.3 que monta o pack mais generoso, com 77 kWh úteis.

Outra curiosidade diz respeito à bomba de calor, que equipa desde o início todos os Nissan Leaf e Renault Zoe. Este equipamento só deverá surgir em alguns ID.3, aqueles destinados aos climas mais frios no norte da Europa. A opção é estranha, uma vez que apesar da denominação, este sistema, que tanto pode fazer frio como calor, é muito mais eficaz, conseguindo em algumas condições consumir um terço da energia usada pelo ar-condicionado/aquecimento, o que tem reflexos na autonomia. O motivo da opção prende-se com o preço, cerca de 1200€ tanto quanto conseguimos apurar, apesar de contribuir para incrementar o alcance.

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Por fora e por dentro, é tudo à medida

O novo ID.3 convida o comprador a personalizá-lo à sua maneira, com o modelo a vir de série com faróis LED à frente e atrás, com uma curiosa assinatura luminosa, que se altera até durante a travagem, para chamar ainda mais a atenção. Há vários tipos de jantes disponíveis (para já seis), assim como se pode ter uma frente mais agressiva ao jogar com as cores de determinadas zonas do pára-choques.

O generoso spoiler traseiro, que ajuda a conseguir um Cx de 0,27, e o tejadilho são sempre pintados de preto, mas os pilares A e C – este substancialmente mais largo, uma herança típica do Golf – podem surgir em branco, cinzento ou avermelhado. Se consultar a galeria, pode ver tudo o que a marca tem reservado em termos de opções.

De acordo com a responsável pelo marketing do ID.3, Christine Leuderalbert, também o interior é passível de ser decorado ao gosto do comprador. Volantes há cinco, três em cores escuras e dois em branco, para os assentos serem oferecidos em tecido ou numa mistura de tecido e veludo, incluindo os apoios de braços à frente, com regulação eléctrica na versão 1st Max.

O tablier é outra área em que o cliente é desafiado a jogar com as cores, existindo cinco propostas entre as mais sóbrias e mais “animadas”. O sistema de iluminação interior existe para cumprir a sua função, mas serve igualmente para ajudar quem conduz, passando informações ao condutor apenas pela forma como se ilumina a barra em LED que acompanha o tablier. Consulte a galeria não só para ver as diferentes opções, como para ver o equipamento disponível nas versões normal, Plus e Max.

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A bronca do software é grave?

aqui explicámos que os ID.3 1st que vão ser entregues em Setembro não vão contar com duas funções, nomeadamente a ligação à aplicação Connect e a informação da distância no head-up display, que projecta a informação no pára-brisas.

Este tipo de dificuldades em resolver questões técnicas é algo nunca visto no Grupo VW, em linha com os problemas que o construtor também sentiu com a adopção do sistema e-Call no novo Golf. O facto de ter de assumir publicamente as dificuldades não abona a favor da imagem da marca, pese embora não sejam propriamente falhas graves. Especialmente se, como prometido, forem resolvidas com uma visita à oficina no início de 2021. Quem fizer questão de ter um ID.3 sem mácula, basta-lhe esperar mais uns meses.

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Mais barato em Portugal que na Alemanha. Mas como?

O ID.3 1st normal, o Plus e o Max já estão disponíveis para encomenda, tendo sido revelados os preços para a Alemanha. O primeiro é proposto por 39.995€ (antes de incentivos), a versão intermédia (Plus) por 45.995€ e o mais refinado (Max) por 49.995€. O mais interessante é que, contactada a SIVA, o importador para o nosso país da marca alemã, constatámos que o ID.3 1st será comercializado em Portugal por 38.018€, menos 1977€ do que na Alemanha, o que é tanto mais curioso quanto o IVA é inferior naquele país.

O motivo deste aparente desconto para os condutores nacionais prende-se com a não adopção da tal bomba de calor nos ID.3 portugueses, ao contrário do que acontece no país de origem. Os restantes preços para Portugal ainda não estão definidos, estimando os responsáveis pela marca que a versão 1st Plus se situe em torno dos 43.800€, enquanto o 1st Max rondará os 49.000€.

Menos boas são as notícias para as versões do ID.3 fora desta série especial 1st. Deverão manter os níveis de equipamento normal (sem qualquer denominação), Plus e Max, além dos três packs de baterias. Contudo, apesar de os alemães sempre terem afirmado que pretendiam comercializar o ID.3 com 45 kWh por cerca de 30.000€ e que esse preço deveria ser idêntico para toda a Europa, não vai ser bem assim. Segundo as últimas informações da SIVA, o valor para o nosso país deverá rondar 34.000€.