O PAN e as saídas, as saídas e o PAN. Sete membros do partido onde se incluem um eurodeputado, uma deputada e uma Comissão Política Regional e agora chegou a vez dos assessores do gabinete no Parlamento. No dia em que o PAN (Pessoas, Animais e Natureza) viu a deputada Cristina Rodrigues passar a não inscrita, o partido decidiu dispensar de seguida a chefe de gabinete do grupo parlamentar, o assessor jurídico e uma assessora que dava apoio a Cristina Rodrigues nos assuntos relacionados com Setúbal (círculo pela qual a deputada foi eleita em outubro).

Depois de ter enfiado as saídas todas no saco da “estratégia articulada e concertada”, André Silva foi questionado pelos jornalistas sobre a hipótese de existirem mais saídas do partido. O porta-voz do PAN respondeu que do que era possível antecipar “não havia mais nenhuma”, mas horas mais tarde, coube precisamente a André Silva e Inês de Sousa Real comunicar à chefe de gabinete Sara Martins, ao assessor jurídico Márcio Quadrada e à assessora Susana Andrade que estavam “exonerados” com efeitos imediatos, apurou o Observador.

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A decisão não terá sido surpreendente para nenhum dos agora ex-membros do gabinete parlamentar que trabalhavam para o PAN desde 2015. A justificação dada pelo PAN  foi a “quebra de confiança política” e um dos motivos que levou ao término da relação profissional terá sido a divulgação de uma investigação do Observador sobre o recurso do partido a falsos recibos verdes, que incluía grande parte do período de tempo em que os assessores, entre outros, trabalharam para o partido. Esse terá sido, aliás, um dos argumentos usados pela direção do partido, com André Silva e Inês de Sousa Real a acusarem Márcio Quadrada e Sara Martins de terem “passado informações confidenciais aos jornalistas”.

Outro dos argumentos terá sido a proximidade à ex-deputada do partido, Cristina Rodrigues, que tinha comunicado a sua desvinculação ao PAN nessa manhã, por e-mail. “É uma frustração geral, acabar desta forma é incompreensível”, conta ao Observador fonte próxima de Sara Martins, acrescentando que o PAN está a fazer “marcação cerrada” a todas as pessoas que têm ou tinham ligações a Cristina Rodrigues, a deputada que se desfiliou na quinta-feira.

Mas o Observador sabe que Sara Martins e Susana Andrade se irão manter pelos gabinetes da Assembleia da República. A ex-chefe de gabinete do PAN deverá ser nomeada chefe de gabinete da agora deputada não inscrita Cristina Rodrigues e Susana Andrade deverá integrar também a assessoria da deputada.

Já Márcio Quadrada, por se encontrar ainda em regime de teletrabalho, soube da decisão de exoneração através de uma curta chamada telefónica. Os argumentos terão sido os mesmos que o partido deu a Sara Martins: “Falta de confiança política”, especialmente depois de divulgada a investigação do Observador.

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Ao Observador, o PAN confirma que um dos motivos da exoneração quer de Márcio Quadrada quer de Sara Martins e ainda de Susana Andrade — que foi nomeada a 5 de dezembro de 2019 enquanto administrativa — foi mesmo a “confiança política”, não entrando em mais pormenores sobre a origem da rutura de uma colaboração que, no caso de Márcio e Sara, já tinha quase cinco anos.

O PAN diz que os motivos “dizem respeito ao Grupo Parlamentar e aos assessores” e que a decisão foi tomada pelo “Grupo Parlamentar”. “Os pressupostos da nomeação assentam em critérios de competências técnicas, interpessoais e de confiança política, pelo que os motivos da sua exoneração dizem respeito ao Grupo Parlamentar e aos assessores”, respondeu a direção do partido ao Observador.