Pedro Pita Barros, professor da Nova SBE, considerou que o modelo de reuniões entre o Governo e os especialistas, que decorre na sede do Infarmed, se “está a esgotar enquanto modelo”, destacando que “pela primeira vez” houve “uma certa tensão política na gestão da atual situação”.

“Pela primeira vez, encontrámos uma certa tensão política na gestão da atual situação, que era algo que até agora não tinha existido”, afirmou o economista, esta segunda-feira, no programa Direto ao Assunto, da Rádio Observador. “Se calhar temos de pensar que o modelo de reuniões do Infarmed se está a esgotar enquanto modelo.”

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Pita Barros disse que “gostaria que houvesse um local” em que o Governo pudesse consultar com “a equipa técnica” de uma forma “completamente livre e que não seja usada depois nesta luta política”.

Ser à porta fechada provavelmente é a única forma de isso acontecer neste momento.”

O docente sublinhou ainda a importância de existir “liberdade” tanto por parte do Governo, como por parte dos especialistas, para “falarem o que pensam exatamente, mesmo que sejam visões divergentes”. “Nestes tempos exige-se dos técnicos algo que eles não podem dar, que é certas absolutas, mas o decisor precisa de ter a maior certeza possível e é nessa parte da tensão que se joga o problema.”

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Ainda no Direto ao Assunto, José Fragata considerou que o Governo atuou “muito bem” numa primeira fase, mas que se começou a passar “mensagens que para as pessoas não são totalmente claras”. Para o cirurgião, é “absolutamente inequívoco que a vida tem de continuar”, mas isso tem de ser feito “com uma disciplina muito grande” e têm de existir regras “de grande solidez e contenção”.

Não podemos estar a ter um discurso de alguma libertação — que era expectável após [um período] em que havia uma rolha —, não podemos estar a ter um discurso de saúde pública correta e simultaneamente permitir festas, que são festas de caráter político ou outro, mas que são ajuntamentos de pessoas onde se torna difícil cumprir regras”, afirma o vice-reitor da Universidade NOVA de Lisboa.

“Temos de voltar a atividade dita normal, que nunca será normal até termos uma vacina, mas observando regras absolutamente restritas”, disse José Fraga, acrescentando que tem de haver uma linguagem “mais firme e mais coerente”.

Já Sónia Dias, coordenadora do Centro de Investigação em Saúde Pública da Escola Nacional de Saúde Pública, defendeu a necessidade de haver um “critério único e mais realistas” para que haja um “controlo mais efetivo de possibilidade de transmissão além fronteira, mais do que dizer que aquele ou este país tem ou não possibilidade de receber turistas ou enviar passageiros”.

Provavelmente o que precisaríamos era de uma medida coerente que seja aplicada a todos os países em que as pessoas precisariam de viajar com o resultado de um teste. [Com] isso, mais do que identificar países, teríamos muito mais certeza de que não estamos a permitir uma transmissão da infeção entre países.”

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