O Chega aceitou o convite para aderir ao grupo europeu Identidade e Democracia (ID), que integra partidos de extrema-direita, tendo formalizado a entrada na quarta-feira, disse à Lusa o presidente demissionário, André Ventura.

“Nós tínhamos já feito alguns contactos europeus. Tivemos primeiro uma maior aproximação ao grupo onde está o [partido espanhol] Vox, mas o desenvolvimento dos contactos internacionais aproximou-nos mais, quer do partido de Matteo Salvini, quer da Frente Nacional francesa”, afirmou o líder demissionário do Chega, admitindo ter tido reuniões com membros do ID.

O grupo ID é a quinta força no Parlamento Europeu, com 73 deputados.

Segundo o dirigente, “houve uma proposta formal de adesão” por parte do ID, no “início de junho”, e a direção do Chega quis “ponderar bem as implicações e as consequências”.

Depois dessa ponderação, que foi feita pela direção e também no Conselho Nacional deste fim de semana, o Chega decidiu “que fazia sentido solidificar as relações lá fora”, a nível europeu, e os “documentos já foram assinados e entregues ontem”, quarta-feira, adiantou Ventura.

Apesar de haver um ou outro partido de que não sejamos tão próximos, há uma identificação muito grande com o ID”, realçou, assinalando que “há aqui um conjunto de partidos que se quer afirmar para uma futura rede de direita europeia”.

A notícia de que o Chega integrou o ID – grupo europeu que integra partidos de extrema-direita, nomeadamente a Liga de Matteo Salvini e a União Nacional de Marine Le Pen – foi avançada pela revista Sábado e confirmada à Lusa por André Ventura.

De acordo com a Sábado, o convite foi endereçado ao Chega no dia 10 de junho, numa carta endereçada pelo presidente do ID ao líder do partido político português.

Segundo o deputado único, “em setembro haverá encontros [bilaterais] com Marine Le Pen e com Matteo Salvini”, em França e Itália, que “já podiam ter acontecido se não fosse a pandemia”. Apesar desta adesão, o presidente do Chega continua a rejeitar que o partido seja classificado como de extrema-direita.

Não gosto da designação de extrema-direita, a Liga não é um partido de extrema-direita”, defendeu, admitindo que “alguns partidos [do ID] eventualmente são um pouco mais radicais do que outros”. “Mas nós somos essencialmente um partido antissistema”, insistiu André Ventura.

O deputado único confirmou também a informação avançada jornal i de que foi convidado para participar, em agosto, na convenção do Partido Republicano, do Presidente Donald Trump, nos Estados Unidos da América.

À Lusa, Ventura que vai interceder para que Marine Le Pen e Matteo Salvini “também sejam convidados” e os três possam encontrar-se com o Presidente norte-americano.