Um professor de direito Xu Zhangrun, que publicou ensaios a criticar os esforços do presidente Xi Jinping para consolidar o poder durante a pandemia, foi esta segunda-feira detido pelas autoridades chinesas, avançou a AFP. Xu terá sido retirado da sua casa em Pequim por cerca de 20 polícias, que apreenderam o seu computador e outros itens.

Segundo um amigo do professor, um alegado polícia terá ligado para a esposa de Xu, que mora numa residência universitária, para dizer que este fora preso por ter solicitado prostituição em Chengdu, no sudoeste do país. Xu terá visitado a cidade no inverno passado com vários estudiosos liberais chineses, explicou ainda o amigo, classificando a alegação de “ridícula e sem vergonha”.

Depois de publicar vários artigos nos quais atacava o líder chinês, ficou em prisão domiciliária sem acesso a internet e foi banido de todas as redes sociais. Segundo amigos próximos do professor, em anonimato, Xu Zhangrun ficou novamente confinado desde o dia 30 de junho (terça-feira), tendo sido libertado no sábado.

Ex-professor chinês crítico de Xi Jinping em prisão domiciliária e sem acesso à internet: “Esta pode ser a última coisa que escrevo”

“Ele é o intelectual que criticou as autoridades e questionou a sua legitimidade na forma mais severa dos últimos anos. Acho que ele foi detido por ser muito influente”, disse o amigo.

Xu, professor de direito da Universidade de Tsinghua, uma das principais instituições da China, é uma das raras vozes que se opõem ao regime de Jinping. Em 2018, manifestou-se contra a abolição dos limites de mandatos presidenciais. Já em fevereiro deste ano, Xu publicou um ensaio no qual culpava Xi Jinping pela disseminação do coronavírus na China.

“Consigo prever com muita facilidade que serei submetido a novas punições; de facto, esta poderá muito bem ser a última peça que escrevo” disse na altura.

Mais recentemente, em junho, acusou o partido comunista de “estética fascista”, sufocando qualquer ideia ou arte independente, depois de demolir uma vila artística nos arredores de Pequim. O professor criticou ainda o líder chinês de ignorar as necessidades das pessoas, que sofrem “desastres atrás de desastres”.