O primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, vai mesmo faltar à cimeira que vai assinalar o início do novo Nafta, o Tratado Norte-Americano de Livre Comércio entre Estados Unidos, México e Canadá que foi revisto e assinado em 2018 para entrar agora em vigor. A justificação oficial do Governo canadiano é a “dificuldade de agenda”, mas Trudeau tinha manifestado recentemente algumas hesitações sobre a sua presença nesse momento, por razões políticas e de saúde pública.

O responsável canadiano estará, assim, ausente do encontro que está agendado para a próxima quarta-feira, na Casa Branca em Washington, e onde estará presente, além de Donald Trump, o presidente do México, Andrés Manuel López Obrador. Num comunicado divulgado na segunda-feira, citado pelo The Guardian, o seu gabinete deseja “aos Estados Unidos e ao México o melhor na reunião de quarta-feira e afirma que “embora tenha havido discussões recentes sobre a possível participação do Canadá, o primeiro-ministro estará em Ottawa nesta semana para reuniões agendadas do gabinete e para uma sessão do parlamento que já estava marcada”.

As tensões com Trump têm crescido nos últimos tempos e ainda na semana passada Trudeau mostrou-se atento à ameaça norte-americana sobre novas tarifas alfandegárias sobre o alumínio vindo do Canadá. “Estamos evidentemente preocupados com a questão das tarifas de alumínio e aço, que os americanos evocaram recentemente”, disse quando foi questionado sobre se iria à cimeira.

Outra das questões que inquietava o canadiano era a “situação sanitária e o coronavírus que ainda ataca” os três países. No início da pandemia, logo em março, enquanto Donald Trump ainda questionava a gravidade do novo coronavírus e dos seus impactos, a mulher de Justin Trudeau testou positivo para Covid-19 e Trudeau teve de ficar em isolamento. Nesta altura, o Canadá começa a manifestar uma confiança prudente com a redução do número de casos no país, mas os Estados Unidos continuam a ser um dos países mais afetados pelo novo coronavírus.