O deputado guineense Adulai Baldé, do Movimento para a Alternância Democrática (Madem G-15), defendeu esta segunda-feira acabar com a rede social Facebook na Guiné-Bissau para diminuir “a onda de insulto” aos líderes guineenses.

Adulai Baldé, vulgo Nhiribui, falava em declarações à Lusa e RDP-África para esclarecer o que já havia defendido na plenária do parlamento guineense a semana passada.

Se acabarmos com o Facebook vamos acabar com esta onda de insultos às pessoas de bem. Insultar o Presidente da República, o presidente do parlamento, o primeiro-ministro, ministros e outras figuras, isso é mau demais”, defendeu Nhiribui.

O deputado disse ainda ser vergonhoso ver pessoas a despirem-se no Facebook “só porque querem ofender” os dirigentes do país.

Eu sou radicalmente contra insultos, até já o disse aos meus camaradas do meu partido”, declarou o deputado, acrescentando estar pronto para votar favoravelmente se um dia o parlamento decidir aprovar uma legislação que acabe com o Facebook na Guiné-Bissau.

Adulai Baldé não sabe de quem é a culpa, “se dos donos do Facebook” ou se das pessoas que publicam as obscenidades, mas não tem dúvidas de que com aquelas práticas a democracia “nunca mais vai vingar” na Guiné-Bissau.

Vários dirigentes do atual regime na Guiné-Bissau, nomeadamente o primeiro-ministro, Nuno Nabian, a ministra dos Negócios Estrangeiros, Suzy Barbosa, e o embaixador do país em Portugal, Hélder Vaz, foram alvos de ataques verbais por parte de grupos de guineenses radicados em Lisboa.

Os grupos acusam aqueles dirigentes de serem os responsáveis pelo estado do país. O primeiro-ministro guineense também foi alvo de insultos no aeroporto em Lisboa feito por um grupo de guineenses.

Nhiribui afirmou que os grupos de guineenses que insultaram os dirigentes no aeroporto, fazem-no a mando de alguém, escusando-se a revelar o nome, por enquanto.

O também deputado e líder parlamentar do Madem G-15, o jurista Abdu Mané, entende a preocupação do colega Adulai Baldé, mas apelou aos guineenses para serem mais contidos na forma de abordagem às figuras públicas, seja no país como no estrangeiro.

As pessoas devem ter ponderação. Criticar é normal, chamar atenção é normal, agora palavrões não dignificam a própria pessoa e a todos nós”, defendeu Adbu Mané, frisando que não se pode aceitar a violência verbal gratuita.

Mané apontou ainda ser normal aceitar o princípio do escrutínio público de figuras que representam o Estado, mas já não é aceitável “resvalar para ofensa à honra” das pessoas, lembrando que “há um limite de razoabilidade”.

O deputado afirmou que a legislação sobre o assunto não deverá resolver o problema e pediu aos guineenses que se reconciliem.

Abdu Mané considerou ser “inaceitável e inadmissível” o que alguns guineenses estão a fazer com Suzy Barbosa, que considerou ser “uma das melhores figuras” da política atual na Guiné-Bissau.

“Gostando ou não, a doutora Suzy é das melhores que nós temos”, observou Abdu Mané, antigo procurador-geral da República.

O Presidente guineense, Umaro Sissoco Embaló, anunciou a semana passada que o Estado vai começar a controlar as comunicações no país, incluindo as redes sociais.

Em entrevista à Lusa, em Lisboa, o primeiro-ministro guineense, Nuno Gomes Nabian, explicou que o anúncio do chefe de Estado pretende responsabilizar os cidadãos pelos insultos feitos a governantes.

Estamos numa sociedade praticamente destruída em termos de comunicação e tem de se responsabilizar as pessoas. Penso que em Portugal, uma sociedade civilizada, não se vê o tipo de coisas que se veem em Bissau, cidadãos que insultam governantes sem qualquer consequência”, afirmou Nuno Nabian, salientando que foi naquela lógica que o chefe de Estado falou.