A ministra da Saúde disse, durante a conferência de imprensa com a apresentação dos números da pandemia de Covid-19, que a redução da taxa de incidência do número de casos por 100 mil habitantes é um “sinal encorajador”. Os bons resultados verificam-se não só a nível nacional como também na Área Metropolitana de Lisboa que apresentou a taxa de incidência mais baixa desde o início do mês. Sobre o surto do lar de Reguengos, Marta Temido disse que não foram registados novos casos, mas que ainda não se pode falar do fim do surto.

“É um sinal encorajador porque mostra que Portugal está já abaixo de uma taxa de incidência de 20 casos por 100 mil habitantes”, disse Marta Temido. Nos últimos sete dias, a taxa de incidência foi de 19 casos por 100 mil habitantes. A taxa de incidência dos casos por 100 mil habitantes tem sido usado por muitos países para imporem condições restritivas a quem viaja a partir de Portugal.

No entanto, quando a taxa de incidência é olhada a 14 dias, o cenário ainda não é favorável e apresenta 43,2 casos por 100 mil habitantes. A ministra disse que é preciso dar continuidade aos esforços para nos alinharmos com os valores de referência a nível internacional.

Marta Temida acrescentou ainda que “o risco de transmissão ao longo do tempo está numa trajetória de decréscimo a nível nacional”, isto porque o Rt se situa abaixo de 1, entre 0,96 e 0,99.

Área Metropolitana de Lisboa: incidência mais baixa desde 1 de julho

Se os resultados a nível nacional são encorajadores, os da Área Metropolitana de Lisboa (AML) não ficam atrás, tendo em conta a situação que tem sido vivida na região de Lisboa e Vale do Tejo.

“A evolução da incidência nos últimos 14 dias aparenta estabilizar em torno dos 100 a 140 novos casos por 100 mil habitantes com tendência decrescente”, disse a ministra da Saúde. “Tendo sido registada hoje [segunda-feira] a incidência mais baixa desde o dia 1 de julho em quase todos os concelhos.”

A incidência de novos casos tem diminuído na AML e em todos os concelhos, com exceção de Sintra, que foi o concelho que registou o maior aumento de novas infeções na última semana — 257 novos casos. “Sintra é a situação que ainda está um pouco distante daquilo que gostaríamos de atingir.”

Apesar de se mostrar satisfeita com os dados do dia, Marta Temido lembrou que os números de segunda-feira, à semelhança do que tem acontecido, são mais baixos do que o resto da semana. “Ainda assim, são números que consideramos bastantes encorajadores relativamente ao trabalho que temos estado a desenvolver, particularmente em 19 freguesias e em determinadas áreas da região de Lisboa e Vale do Tejo.”

Os 206 surtos ativos e o caso do lar de Reguengos

Portugal tem, neste momento, 206 surtos ativos, como confirmou a ministra da Saúde, dos quais 131 estão localizados na região de Lisboa e Vale do Tejo e 41 na região Norte. Os restantes surtos distribuem-se pelo Algarve (13), Centro (11) e Alentejo (10).

O sub-diretor geral da Saúde, Diogo Cruz, reforça que um surto é considerado ativo até que passem 28 dias sem novos casos. Acrescentou que vários destes 206 não têm tido novos casos, mas ainda não cumpriram esse período.

Tendo isto em conta, o surto no lar de Reguengos, apesar de não registar novos casos nos últimos dias, só poderá ser declarado extinto ao fim dos tais 28 dias. O surto do lar é um dos 10 surtos ativos na Administração Regional de Saúde do Alentejo e teve 168 casos relacionados: cerca de 80 idosos, 29 profissionais e 60 pessoas na comunidade. Entre os doentes, 19 já recuperaram.

Outros surtos ativos no Alentejo são, por exemplo, o do matadouro de Reguengos e o do Parque de Campismo de Grândola.

Marta Temido sobre vacina: “É ainda prematuro ter mais do que expectativas do sucesso”

Se a ministra da Saúde mostra confiança no trabalho que as equipas de saúde e multidisciplinares têm feito na contenção dos surtos, é mais comedida a saudar uma potencial vacina contra o novo coronavírus.

Marta Temido garante que Portugal tem estado a acompanhar o desenvolvimento das vacinas contra o novo coronavírus e que já “foi sinalizado o interesse em adquirir, para o nosso país, quantidades adequadas para uma eventual vacinação nos critérios que venham a ser definidos quando uma nova vacina vier a aparecer”.

“O governo português tem procurado estar presente em todos estes processos, acompanhar todas estas possibilidades, mas é ainda prematuro ter mais do que expectativas relativamente ao sucesso de uma vacina”, disse a ministra da Saúde.

Mas como Marta Temido deixa claro, estamos ainda no campo das hipóteses e as negociações, a acontecerem, terão lugar ao nível da Comissão Europeia, para potenciar os resultados alcançados pelos Estados-membros.