O Brasil registou um conjunto de casos de crianças infetadas com Covid-19 que desenvolveram sintomas semelhantes aos da raríssima doença de Kawasaki, situação que já tem sido reportada em vários outros lugares, incluindo em Portugal, e que tem intrigado a comunidade científica.

O jornal Estado de São Paulo publicou este domingo uma reportagem sobre um caso registado numa criança de 3 anos no Rio de Janeiro que, apesar de ter inicialmente ter feito um teste com resultado negativo à Covid-19, adoeceu gravemente e, após sete dias de febre elevada, foi diagnosticada com uma inflamação generalizada associada à Covid-19.

Novo estudo associa Covid-19 a doença rara em crianças

Entre os sintomas sentidos por Alice contam-se a febre, mas também os olhos vermelhos, a barriga inchada e a pele a descamar. Embora não haja estatísticas oficiais sobre esta realidade no Brasil, pediatras contactados por aquele jornal brasileiro dão conta da existência de mais casos. No Rio de Janeiro há relatos de pelo menos 10 casos, incluindo o de Alice.

Segundo a responsável dos cuidados intensivos de pediatria do hospital Pedro Ernesto, no Rio de Janeiro, a Síndrome Multissistémica Inflamatória Pediátrica, como tem sido descrita, “costuma aparecer de três a quatro semanas após o pico do coronavírus” e consiste numa “resposta imunológica exacerbada, com febre persistente, sintomas abdominais, diarreia, vómito, lesões cutâneas, conjuntivite”.

“Pode evoluir para quadro semelhante a um choque, com aumento dos marcadores inflamatórios, anomalias coronarianas e disfunções cardíacas”, disse a médica Raquel Zeitel.

Criança portuguesa com sintomas de doença rara associada à Covid teve alta. É o único caso português entre 322 identificados no mundo

Em maio deste ano, as autoridades de saúde portuguesas confirmaram que uma criança em Portugal tinha desenvolvido os mesmos sintomas, semelhantes à doença de Kawasaki, mas cuja origem ainda está a ser estudada pela comunidade científica.

Na altura, de acordo com um relatório do Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC), tratava-se do único caso português entre 322 identificados em vários países do mundo.