Um navio que teve de parar a meio do percurso devido a problemas técnicos, uma inspeção que impediu a viagem até ao destino, um imbróglio jurídico sobre o que fazer à carga potencialmente explosiva e as falhas de um Estado em crise económica e política. O resultado foi uma tragédia com consequências piores do que as de um ato de guerra, de acordo com o balanço de vítimas, ainda provisório, e os relatos que chegam da capital do Líbano, Beirute, uma cidade com mais de um milhão de habitantes que ficou parcialmente destruída.

Ainda sem se conhecerem os resultados do inquérito oficial, há já dados que permitem perceber a origem do que se acredita ter sido um acidente, mas com contornos que envolvem processos jurídicos e uma demora fatal na tomada de decisão sobre o destino final a dar à carga cujo perigo era do conhecimento das autoridades portuária e alfandegárias.

A história começa num navio de carga que transportava o nitrato de amónio e que em 2013 parou no Porto de Beirute devido a problemas técnicos.

De acordo com informação avançada pela Aljazeera que cita documentos publicados no site Fleetmon, que monitoriza o trajeto de transportes marítimos de carga, o navio de nome Rhossus, viajava com bandeira da Moldávia. Segundo o Daily Telegraph, o proprietário seria o empresário Igor Grechushkin, que terá declarado falência e abandonando o navio e a sua carga ao largo do porto de Beirute. O navio vinha da Geórgia, antiga república soviética no Cáucaso, e teria como destino o porto da Beira em Moçambique.

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