Um, dois, três, todos. Os fact-checkers do Facebook não tiveram dúvidas nas suas avaliações e foram unânimes em relação a Donald Trump numa série de assuntos. Por exemplo, quando o presidente dos EUA disse, ainda no mês de junho, que o democrata e rival na corrida eleitoral, Joe Biden, queria “desfigurar” as forças policiais. Vários órgãos como o PolitiFact, o CheckYourFact, o FactCheck.org, o Dispatch ou a Associated Press andaram entre as afirmações “falsas”, “distorcidas” e “enganadoras”. Houve mais avaliações mas a ideia era sempre a mesma. No entanto, e como destacava o Washington Post, nenhum desses fact-checks chegou ao Facebook. Razão paralela? A rede tem nas suas regras uma espécie de “amnistia” para os políticos neste tipo de situações, que é como quem diz qualquer anúncio deste género pode ser publicado sem qualquer tipo de problema ou veto.

A peça do jornal não demorou a provocar a habitual cadência de reações, mais críticas do que positivas. Seis horas depois, coincidência ou não, algo mudara – pela primeira vez, o Facebook apagou um post de Trump.

“O vídeo em causa inclui alegações falsas sobre um grupo de pessoas que é imune à Covid-19, o que se trata de uma violação das nossas políticas em relação à prejudicial desinformação em relação ao novo coronavírus”, explicou o porta-voz da rede, Andy Stone, em declarações citadas pelo Washington Post. Em causa está um vídeo tirado da entrevista do líder dos EUA à Fox News, quando referiu que as crianças são quase imunes à Covid-19. Também o Twitter apagou depois o mesmo vídeo que tinha sido removido pelo Facebook.

Em conferência de imprensa, Donald Trump voltou a repetir essa afirmação e Courtney Parella, uma porta-voz da campanha do líder dos EUA citada pela CNN, defendeu também a ideia. “Aquilo que o presidente fez foi apenas constatar o facto de que as crianças são menos suscetíveis a contrair o novo coronavírus”, salientou, acrescentando ainda que as companhias de redes sociais “não se podem considerar os árbitros da verdade”. Já o Facebook, já depois da intervenção de Andy Stone, destacou que já antes tinha retirado um anúncio da campanha de Donald Trump por usar um símbolo nazi, algo que aconteceu ainda em junho.

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Conta de Twitter esteve temporariamente suspensa

A conta de Twitter “Team Trump”, dedicada à campanha eleitoral para a reeleição do atual presidente dos Estados Unidos chegou mesmo a estar suspensa depois da publicação do vídeo — que foi removido. Segundo um comunicado do Twitter a conta só voltou a ser desbloqueada, passando a poder publicar novamente, depois de o vídeo ter sido removido.

Depois de ter sido levantada a suspensão, a conta argumenta que o responsável pela denúncia tem relações com a senadora Kamala Harris.