O Ministério Público (MP) confirmou que abriu um inquérito às ameaças feitas a três deputadas e à associação SOS Racismo pelo grupo neonazi Nova Ordem de Avis – Resistência Nacional. Numa resposta por escrito enviada ao Observador, a Procuradoria-Geral da República adianta que “serão investigados todos os factos que vieram a público nos últimos dias”.

Três deputadas foram ameaçadas pelo grupo em questão a abandonarem os cargos políticos e o país no prazo de 48 horas, caso contrário “serão tomadas medidas contra estes dirigentes e os seus familiares, de forma a garantir a segurança do povo português”. Já, no passado fim de semana, terão sido membros deste mesmo grupo que estiveram em frente da sede do SOS Racismo numa ação que diziam ser contra o “racismo anti-nacional” — e que motivou também uma queixa da associação ao MP. Os dois episódios deverão ser investigados pelas autoridades.

Três deputadas ameaçadas por grupo neonazi através de email. PJ já está a investigar caso

A ameaça está já a ser investigada pela Polícia Judiciária (PJ), na sequência de uma queixa apresentada pela SOS Racismo e pelo Bloco de Esquerda. A mesma consta num email enviado para a SOS Racismo com uma lista de pessoas a quem se dirige a mensagem e que inclui as deputadas do Bloco de Esquerda Mariana Mortágua e Beatriz Gomes Dias e a deputada não inscrita Joacine Katar Moreira. Segundo a RTP, a Polícia Judiciária (PJ) irá ouvir as três deputadas ameaçadas e já terá ouvido Mamadou Ba, dirigente da SOS Racismo. Todas as contas em redes sociais e páginas do movimento na internet estão a sob o escrutínio dos inspetores da PJ.

No final do email constam apenas as iniciais “NOA-RN”, de Nova Ordem de Avis – Resistência Nacional, um grupo neonazi que reúne antigos militantes da Nova Ordem Social, do Partido Nacional Renovador e dos Portugal Hammer Skin.

O movimento Resistência Nacional descarta qualquer envolvimento nas ameaças e diz que não tem qualquer ligação o grupo Nova Ordem de Avis – Resistência Nacional, apesar da coincidência parcial do nome. Este movimento garante que o comportamento da organização ocorre “sempre dentro da legalidade”. “Repudiamos qualquer tipo de intimidação física ou psicológica a quem quer que seja”, disse o movimento à RTP.

Movimento “Resistência Nacional” desmente ter enviado ameaças a deputadas