O Irão ultrapassou esta quarta-feira as 20.000 mortes ligadas ao novo coronavírus, o maior número de vítimas mortais da pandemia até agora em qualquer país do Médio Oriente, indicou o Ministério da Saúde.

O anúncio foi feito no mesmo dia em que mais de um milhão de estudantes da República Islâmica realiza exames de admissão à universidade e quando o país se prepara para assinalar no final do mês a Ashura, a grande comemoração de luto pela morte do neto do profeta Maomé, Hussein, no século VII, um dos santos mais venerados do islamismo xiita.

A porta-voz do Ministério da Saúde, Sima Sadat Lari, disse esta quarta-feira que o Irão conta agora com 350.200 infetados, entre os quais 20.125 mortos, desde que o país registou os primeiros casos em fevereiro. O país tem cerca de 80 milhões de habitantes.

Especialistas internacionais e nacionais suspeitam que os números relativos à pandemia sejam superiores.

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Cerca de 1,4 milhões de estudantes começaram a fazer os exames de algumas horas e Ali Reza Zali, que lidera a campanha contra a pandemia em Teerão, disse que as autoridades desinfetaram as instalações onde decorrem os testes “para garantir a saúde dos candidatos”.

Segundo Zali, a capital do Irão ainda enfrenta o maior nível de alerta do país em relação ao vírus.

Em relação ao Ashura, a Associação Psiquiátrica iraniana pediu ao ministro da Saúde, Saeed Namaki, a “proibição total de quaisquer reuniões, especialmente as cerimónias de luto públicas”, considerando que se poderá estar “à beira de um desastre”, segundo a agência noticiosa norte-americana Associated Press.

Nos nove dias antes da Ashura decorrem grandes procissões durante as quais homens se flagelam com correntes, numa expressão simbólica de pesar por não terem podido ajudar Hussein antes do seu martírio. Muitos distribuem alimentos e bebidas gratuitamente aos participantes.

Na segunda-feira, uma organização de religiosos disse que a Ashura deve realizar-se “em quaisquer circunstâncias”, embora tivesse pedido aos participantes para seguirem as regras de segurança sanitárias.

A pandemia de Covid-19, transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro em Wuhan (China), já provocou pelo menos 774.832 mortos e infetou mais de 21,9 milhões de pessoas em todo o mundo, segundo um balanço da agência France Presse.