O processo em tribunal, em que o grupo britânico Jaguar Land Rover (JLR) solicitou a interdição de a Ineos Automotive (IA) produzir e comercializar o Grenadier, por o considerar uma cópia do Defender original, não terminou de forma favorável. Apesar de serem óbvias algumas semelhanças, o juiz decidiu a favor da marca recém-criada por Jim Ratcliffe, o homem mais rico do Reino Unido, que baptizou o seu 4×4 com a designação do seu bar favorito. Mas tudo indica que o resultado poderá ser distinto quando a batalha chegar a outros países, a começar pela Alemanha.

Para esclarecer o juiz inglês, a JLR recorreu ao antigo responsável pelo design da Ford, marca que já controlou a Jaguar e a Land Rover, com James Mays a garantir que os painéis rebitados, o capot do motor saliente, as portas e capots com articulações exteriores e visíveis e os pequenos elementos em vidro entre as janelas e o tejadilho são característicos do Defender original.

Do outro lado, a Ineos Automotive chamou o antigo designer da Volvo, Stephen Harper, que defendeu que o Jeep Willys e o Mercedes Classe G são muito similares ao Defender original, pelo que este não deve ser protegido. Opinião que colheu as preferências do juiz.

Afirma a imprensa germânica que o desfecho deverá ser diferente nos tribunais alemães, onde irá certamente parar a disputa entre a marca britânica controlada pelos indianos da Tata e o novo fabricante inglês. Para Nicolas Dumont, um especialista em propriedade intelectual no escritório de advogados Arnold & Porter, na Alemanha, as pequenas diferenças são consideradas muito menos importantes, antevendo que os condutores alemães “terão de esperar muito tempo até conseguirem ter acesso à réplica do Defender”, segundo os comentários recolhidos pela Auto Motor und Sport.

Nicolas Dumont diz ainda que as pequenas alterações introduzidas na carroçaria do Grenadier foram destinadas a satisfazer os juízes ingleses que iriam julgar o processo, mas salienta que a prática germânica para impedir cópias de qualquer tipo de produtos é tradicionalmente mais abrangente e menos permissiva. Mais grave, para a Ineos, é a possibilidade de a decisão dos tribunais alemães – a vir a ser tomada – ser aceite pelos restantes países da União Europeia, o que complicaria o futuro do Grenadier, que só deverá surgir em 2021.