Luís Filipe Vieira retirou o primeiro-ministro António Costa e o presidente da Câmara Municipa de Lisboa, Fernando Medina, da comissão de honra da candidatura à presidência do Sport Lisboa e Benfica. Outros apoiantes também foram retirados por serem detentores de cargos públicos.

Tomei a iniciativa de retirar da minha comissão de honra todos os titulares de cargos públicos, sejam autarcas, deputados ou membros do Governo. É triste que, 46 anos depois do 25 de abril, se tenha de censurar quem livremente decidiu manifestar-me o seu apoio, mas o populismo e a demagogia dos dias de hoje obrigam-me a fazê-lo de forma a terminar com uma polémica injustificada e profundamente hipócrita”, diz Vieira em comunicado.

Sobre os processos em tribunal onde é arguido — e que têm sido apontados como um dos motivos para que, na opinião dos críticos, os membros do governo se devessem abster deste tipo de apoios —, Vieira afirmou que está “de consciência tranquila”:

Se for condenado, no futuro, em algum dos processos de que nestes dias tanto se fala, serei o primeiro a tomar a iniciativa, saindo pelo meu pé da presidência do Sport Lisboa e Benfica“, prometeu.

O líder benfiquista afirma que o primeiro-ministro e o autarca lisboeta têm sido “atacados de forma incompreensível e torpe” após ter sido conhecido que ambos faziam parte da comissão de honra de Luís Filipe Vieira — apesar de as próprias regras do Partido Socialista (PS), criadas precisamente por Costa, o proibirem.

A culpa, acusa Vieira, é dos media, que “de forma concertada, foram ‘construindo’, deturpando e usando” o apoio do líder governamental e do responsável pela Câmara de Lisboa “como catalisador de uma campanha populista de difamação”. “Não posso tolerar que este clima difamatório se prolongue, nem que seja aproveitado para atacar de forma indevida o carácter e a seriedade de quem se limitou a expressar-me, enquanto sócio, o seu apoio”, lamenta Vieira no documento.

A reação de Luís Filipe Vieira chega depois de Marcelo Rebelo de Sousa ter admitido aos jornalistas que iria conversar com António Costa sobre a polémica. Durante uma visita a Alcoutim no fim de semana passado, os jornalistas perguntaram ao Presidente da República se, em caso de António Salvador se recandidatar à presidência do Sporting Clube de Braga (de que Marcelo é adepto), aceitaria integrar a comissão de honra.

Marcelo Rebelo de Sousa respondeu:

“Isso é uma maneira subtil de querer saber a minha opinião sobre a posição do primeiro-ministro relativamente às eleições do Benfica. O que eu sei é através da comunicação social e o que eu ouvi foi a explicação do senhor primeiro-ministro dada na comunicação social. Só saberei mais na audiência [com Costa] daqui por uns dias”.

“O que se trata aqui é de uma situação concreta, envolvendo um titular de um órgão de soberania, um clube de futebol, um ato eleitoral de um clube de futebol, em determinadas circunstâncias, num contexto político e jurisdicional também determinado”, analisou: “São muitas componentes para se fazer teoria abstrata”.