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Dieter Zetsche foi um homem importante na história do grupo Daimler. Deu nas vistas como o obreiro por detrás do casamento Daimler/Chrysler e é apontado como o salvador do grupo no mercado norte-americano, o que o catapultou para o lugar de CEO da Daimler na Alemanha em 2006, cargo que manteve até 2019. Saiu com o anúncio que regressaria em 2021, como chairman do conselho de supervisão, mas tudo indica que vai continuar ligado ao turismo.

Não é fácil apontar defeitos a Zetsche, pelo menos em termos de carreira, uma vez que sempre trabalhou para fazer crescer as vendas e os lucros da Daimler, a primeira preocupação dos accionistas. Quando o gestor alemão, nascido em Istambul, abandonou o cargo de CEO em 2019, assumindo momentaneamente a posição de gestor do operador alemão de turismo TUI, fê-lo na perspectiva de regressar no próximo ano como chairman. Mas, de acordo com uma entrevista ao Frankfurter Allgemeine Sonntagszeitung, tal já não deverá acontecer.

Segundo o ex-CEO, há muitos accionistas que o criticaram de forma dura, não pela ausência de resultados durante a sua gestão, mas sim por ter entrado muito tarde e de forma muito conservadora nos veículos eléctricos. Afirmam esses mesmos accionistas que, se a crise do coronavírus tem origem externa, os recentes prejuízos de 2000 milhões de euros são auto-infligidos. Curiosamente, Zetsche está a ser alvo de críticas, mas o novo CEO da Daimler, Ola Källenius, consegue passar entre os pingos da chuva, ele que era um dos responsáveis pelo desenvolvimento da Mercedes.

Para esta aparente “perseguição” a Zetsche poderá ter contribuído a relativa dureza com que o ex-CEO se opôs à entrada do chinês Li Shufu (o dono da Geely, Volvo e Polestar, entre outras) no capital da Daimler. Shufu acabou por entrar, sendo hoje o maior accionista e tendo adquirido posteriormente 50% da Smart ao grupo alemão. É ele o futuro responsável pela fabricação da próxima geração do modelo eléctrico na China, de onde será exportado para o mercado europeu.

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