Na passada quinta-feira foi tornada pública uma carta aberta assinada por vários médicos e cientistas a defender a imunidade de grupo. Esta sexta-feira, porém, a Sky News descobriu que muitos dos nomes que assinam a declaração são falsos.

A chamada Declaração de Great Barrington, uma carta organizada por proeminentes defensores da imunidade coletiva, foi apresentada como sendo assinada por mais de 15 mil cientistas e médicos, bem como mais de 150 mil membros do público em geral. Mas a estação britânica encontrou dezenas de nomes falsos na lista de signatários médicos, realidade potenciada por se poder inscrever qualquer nome através do site da declaração.

De entre vários nomes obviamente falsos — como o “Dr. Johnny Bananas” ou o “Dr. Pessoa Nomefalso” — há outros menos óbvios como o Dr. Harold Shipman, um clínico geral do Reino Unido… Que foi preso em 1998, depois de ter morto pelo menos 200 pacientes.

Foram descobertos ainda 18 homeopatas autodeclarados — isto numa carta que é vendida como sendo assinada por médicos e cientistas –, cerca de 100 terapeutas e até um cantor mongol, de Khöömii, que se descreve como sendo um “praticante de som terapêutico”.

Esta carta está a ser muito criticada por especialistas em saúde pública, que a acusam de deturpar o nível de apoio à controversa noção de imunidade de grupo. Embora a ideia de imunidade coletiva tenha alguns apoiantes proeminentes e a Declaração de Great Barrington tenha sido assinada por muitos cientistas e profissionais médicos respeitados, a grande maioria dos especialistas na área rejeita a abordagem — recentemente, Soumya Swaminathan, cientista chefe da OMS, ressalvou aos “defensores da imunidade de grupo” que não se devem esquecer de que os jovens também podem ficar “muito doentes, morrer ou passar a sofrer de complicações de saúde crónicas”.

A Declaração de Great Barrington ganhou esse nome em homenagem à cidade dos Estados Unidos onde foi escrita. Terá sido iniciada pelo professor Martin Kulldorff, pelo professor Jay Bhattacharya e pelo professor Sunetra Gupta e apela aos governos para que permitam que pessoas mais jovens e menos vulneráveis ​​contraiam o coronavírus, encorajando assim a “imunidade de rebanho” entre a população. Isto enquanto pessoas mais vulneráveis recebem “proteção específica”.