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Inglaterra tem mais pessoas internadas nos hospitais agora do que quando o país entrou em confinamento, a 23 de março. Só nas últimas três semanas o número de casos quadriplicou, disse Boris Johnson no Parlamento britânico para justificar as medidas que se preparava para anunciar, incluindo o encerramento de bares e ginásios em algumas regiões.

O primeiro-ministro britânico rejeitou totalmente um novo confinamento total e coloca fora de hipótese encerrar escolas, universidades e o retalho. Por outro lado, Boris Johnson também rejeitou a ideia de procurar a imunidade de grupo permitindo a circulação do vírus entre os mais jovens, protegendo os mais velhos. Porquê? Porque os mais jovens também podem sofrer de doença grave e o Serviço Nacional de Saúde britânico (NHS) não ia aguentar.

Boris Johnson anunciou um plano com três níveis de alerta, que será publicado esta segunda-feira, votado no dia seguinte e entrará em vigor na quarta-feira. Os níveis são os seguintes:

  • Nível médio — onde se situa a maior parte do território inglês neste momento, aplicam-se restrições como a “regra de 6” (o número máximo de pessoas que podem estar juntas se não pertencerem ao mesmo agregado familiar) ou o encerramento dos restaurantes, bares e outros estabelecimentos do setor às 22 horas;
  • Nível altopara evitar a transmissão do vírus entre agregados familiares ou entre “bolhas” (grupos que convivem exclusivamente entre si, como as turmas de alunos nas escolas). Nestas zonas, fica proibido os encontros de agregados familiares dentro de espaços fechados, mas mantém-se a “regra de 6” para os espaços exteriores;
  • Nível muito alto — onde os níveis de transmissão estão a aumentar mais rapidamente e onde o NHS está em risco de colapso, haverá proibição de ajuntamentos em espaços fechados ou jardins fechados para pessoas que não pertençam ao mesmo agregado familiar e encerramento dos bares.

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O primeiro-ministro quer o maior consenso possível e promete trabalhar com as autoridades locais para decidirem sobre que restrições adicionais serão implementadas em cada região, nomeadamente no que diz respeito ao encerramento de bares e restaurantes, espaços de entretenimento e lazer ou espaços de beleza e bem-estar, como os ginásios.

Tendo em conta as dificuldades enfrentadas por estes negócios, o governo promete novos apoios financeiros à economia e empresas, assim como para a implementação das medidas de restrição e aumento da capacidade de testagem e rastreio.

Trabalhem connosco nestas medidas difíceis mas necessárias nestas áreas classificadas de alto risco e em troca daremos mais apoio à realização de testes e seguimento dos casos, mais financiamento para implementação das medidas e o sistema de apoio ao emprego”, diz Boris Johnson.

Keir Stamer, líder da oposição, disse: “Estou muito cético que o Governo tenha conseguido traçar um plano para controlar o vírus, proteger os empregos ou reconquistar a confiança da população”. O líder da oposição diz que deu o “benefício da dúvida” ao primeiro-ministro, mas que só o viu “correr atrás do prejuízo” e que as medidas implementadas anteriormente não tiveram o impacto que Johnson prometeu.