Akio Toyoda, neto de Kiichiro Toyoda, o fundador da Toyota Motor Corporation (TMC) em 1937, é hoje o homem ao leme do gigante japonês. Durante anos o maior grupo do mundo, a TMC foi batida pelo Grupo VW como o maior fabricante global em 2015, para em 2020 ter sido ultrapassada pela Tesla como a marca com maior valor no mercado.

Mas, como se isto não bastasse, o primeiro-ministro japonês, Yoshihide Suga, comprometeu-se a banir as vendas de motores exclusivamente a combustão em meados da década de 2030, ou seja, em 2035. Isto para atingir emissões zero, em termos de carbono, em 2050.

Esta medida do Governo japonês, como reporta a Reuters, apesar de se destinar a favorecer os veículos eléctricos e híbridos (plug-in?), vai levar o país do Sol Nascente a começar a descontinuar gradualmente a produção de veículos com exclusivamente motores de combustão a partir do início de Janeiro.

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Com todas estas alterações no horizonte, Akio Toyoda resolveu afirmar numa conferência organizada pela Japan Automobile Manufacturers Association (JAMA), comentada pelo Wall Street Journal, que os eléctricos exigem demasiados investimentos e emitem mais dióxido de carbono (CO2). É raro ver-se um fabricante de primeira linha esgrimir estes argumentos, que só não são falsos se o país em causa depender excessivamente de derivados de petróleo e, sobretudo, de carvão, como é o caso da Alemanha e da Polónia, embora estes países estejam obrigados a inverter a situação nos próximos anos, para cumprir a legislação europeia.

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Segundo os dados avançados pelo The Diplomat, o Japão, que é completamente dependente dos combustíveis fósseis que importa para gerar energia, aquecimento e mover os meios de transporte – à excepção da magra contribuição das fontes renováveis –, recorria em 2018 ao petróleo para os transportes (38%), indústria (24%), sectores não energéticos (16%) e produção de energia (5%). Porém, a redução de petróleo para gerar energia eléctrica, que era de 19% em 2012, foi conseguida à custa de um maior investimento em centrais a carvão (o país possui 140 unidades a queimar este mineral), solução que é ainda mais poluente e grande emissora de CO2, com o carvão a garantir 32% da energia produzida no Japão em 2018.

É esta necessidade de recorrer ao carvão para gerar electricidade, privilegiando a energia barata em detrimento de menores emissões ambientais, ao contrário do que vem a ser feito na Europa, que impede os veículos eléctricos de demonstrarem todo o seu potencial. O curioso é que enquanto Akio Toyoda afirma ser contra os veículos eléctricos no Japão e perante a indústria local, por outro lado, aposta em modelos a bateria para a Europa, China e EUA, investindo verbas chorudas em novas tecnologias para baterias, os acumuladores sólidos, e continuando a apostar no desenvolvimento das suas células de combustível a hidrogénio para alimentar automóveis como o Mirai, além de veículos pesados de carga e autocarros.