Quando nos primeiros dias de janeiro a Renault lançou em Portugal o EcoPlan —  uma estratégia ambiental pioneira, com ações concretas na área dos veículos elétricos e da sustentabilidade — ninguém poderia adivinhar que poucos meses depois o mundo estaria dominado pela pandemia da covid-19. Mas foi precisamente neste contexto difícil que o EcoPlan ganhou uma importância acrescida. Com receio de eventuais contágios no interior dos transportes públicos, milhares de consumidores viraram-se para o automóvel particular, especialmente elétrico e híbrido, e neste fim de ano os números já mostram bem essa tendência.

Em entrevista ao Observador ECO, a administradora-delegada da Renault Portugal admite, por um lado, que o mercado automóvel em Portugal, em todos os “canais de vendas”, foi “fortemente impactado pela pandemia”, com uma descida de 35% até novembro. No entanto, acrescenta: as vendas a particulares resistiram “melhor” do que outras modalidades (como o rent-a-car) em ambas as marcas do grupo, Renault e Dacia. A procura de um meio de transporte seguro, individual e sustentável, no contexto da pandemia, é uma das explicações plausíveis.

“A nossa participação no mercado aumentou durante a pandemia, comparativamente com o ano passado, no canal dos veículos particulares”, afirma Zineb Ghout, na entrevista em vídeo que está disponível nesta página. O ZOE, a grande aposta da Renault na mobilidade elétrica, tinha em novembro a liderança de mercado no seu segmento, tanto em Portugal como na Europa.

Em jeito de balanço, para fechar o ano, a administradora do grupo Renault — que já trabalhou na Argélia, em França e em Espanha, e que chegou a Portugal em setembro para suceder a Fabrice Crevola — faz também uma análise do EcoPlan. Ao fim de 12 meses de vigência, a iniciativa representou “um excelente trabalho” com o objetivo de “democratizar o veículo elétrico de forma pedagógica”.

De entre os quatro pilares do EcoPlan — isto é, as diferentes medidas da Renault à disposição dos consumidores para que adquiram um carro sem emissões ou com emissões reduzidas de gases poluentes —, aquele que teve maior êxito foi o EcoAbate, segundo Zineb Ghout.

O EcoAbate propõe um apoio da Renault até três mil euros para abate de automóveis com idade superior ou igual a 12 anos, na troca por elétricos, híbridos ou outros. Resultado, à data de novembro último: o ZOE, principal aposta da marca na mobilidade elétrica, é líder de mercado no seu segmento, tanto em Portugal como no resto da Europa.

Quanto aos incentivos do Estado para a mobilidade elétrica dos cidadãos e das empresas, “são necessários e importantes” mas “insuficientes”, porque têm limites no número de beneficiários, de acordo com Zineb Ghout. “É necessário que o Governo e os poderes públicos criem incentivos a longo prazo, para dar confiança aos clientes e assegurar uma mobilidade elétrica mais sustentável”, afirma. No mesmo sentido, entende que as autoridades “devem acelerar e agilizar” a instalação de mais postos de carregamento de elétricos.

O EcoPlan, adianta a administradora, é para continuar ao longo de 2021, com novidades que serão reveladas em breve. É provável que a Renault volte também a apostar em parcerias com órgãos de comunicação social, como aconteceu este ano com o Observador, através do projeto editorial ObservadorECO. “Os média têm um papel importante, ao nosso lado, para explicar às pessoas, de forma pedagógica, que a transição para um veículo elétrico não é difícil”, sublinha Zineb Ghout.

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