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Vai encerrar o restaurante de Lisboa que esta sexta-feira foi notícia por, apesar das medidas de restrição impostas pelo novo confinamento, ter continuado de portas abertas e a servir às mesas, recusando limitar-se à venda de refeições através de take-away.

O anúncio foi feito através do Facebook do LAPO, pelos proprietários António e Bruna Guerreiro, que explicaram em comunicado que após “profunda análise e ponderação” decidiram fechar portas temporariamente, “sobretudo por respeito à sensibilização dos agentes da PSP”, prometendo reabrir “em breve”.

Caros amigos, Conforme comunicado nas redes sociais mantivemos o nosso estabelecimento aberto ao público na…

Posted by L A P O on Sunday, January 17, 2021

Apesar da decisão, os proprietários do restaurante, a funcionar no Alto da Bica desde julho de 2019, reiteraram a teoria de que por trás das medidas impostas pelo Governo para travar a pandemia, nomeadamente da que obriga ao funcionamento de estabelecimentos de venda de comida e bebida apenas em regime de take-away, não existirá qualquer suporte da ciência.

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“Não há absolutamente nenhuma informação científica que demonstre que os restaurantes são focos de contágio quando comparados com aviões repletos de passageiros confinados ao mesmo espaço durante horas, transportes públicos pejados de pessoas em horas de ponta, provas de desporto automóvel, atividades políticas, etc”, pode ler-se no comunicado partilhado via Facebook.

“Medidas são barbaramente contraproducentes”. Restaurante em Lisboa recusa fechar durante confinamento e invoca Constituição

No mesmo texto, António e Bruna Guerreiro, que mantiveram o restaurante aberto na passada sexta-feira ao abrigo do Direito de Resistência, previsto pelo artigo 21.º da Constituição Portuguesa e que podem agora ter de pagar uma multa entre os dois mil e os 20 mil euros, aproveitaram ainda para ironizar sobre a presença das autoridades junto ao espaço.

“Ficamos muito felizes por, finalmente, ter tanta polícia à porta, em permanência, depois de tantos anos de luta inglória, de tantas cartas para a Junta de Freguesia da Misericórdia, Câmara Municipal de Lisboa, Comando Metropolitano de Lisboa da PSP, Procuradoria-Geral da República, MAI, denunciando a inércia das autoridades perante a colonização da zona da Bica e de Santa Catarina por gangues que se dedicam ao roubo e ao tráfico de droga, conduzindo moradores e comerciantes ao desespero.”