A Johnson & Johnson anunciou esta sexta-feira que a sua vacina de dose única foi 66% eficaz na prevenção do desenvolvimento da Covid-19 com sintomas moderados e 85% eficaz na prevenção de sintomas graves, num ensaio clínico global cujos resultados acabam de ser conhecidos.

No primeiro caso, os efeitos foram verificados 28 dias após a sua administração, e os primeiros resultados em termos de proteção foram observados a partir do 14.º dia após a vacinação, disse a farmacêutica em conferência e comunicado de imprensa.

O ensaio foi conduzido em três continentes e contra múltiplas variantes, e a eficácia da vacina difere de região para região. A injeção foi 72% eficaz entre os voluntários de ensaios clínicos nos Estados Unidos. Na África do Sul, onde a maioria das pessoas com Covid-19 (95%) foi infetada com a nova variante nacional, a vacina foi apenas 57% eficaz.

A J&J refere ainda que a vacina foi 85% eficaz na prevenção de sintomas graves em todas as regiões estudadas, 28 dias após ser administrada em todos os adultos a partir dos 18 anos. A eficácia contra a doença grave também aumentou ao longo do tempo, não havendo registo de casos de doença grave em nenhum dos participantes vacinados ao final do 49.º dia.

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A nota refere também que a vacina demonstrou uma “proteção total contra a hospitalização e morte relacionadas com a Covid”, havendo um efeito claro nos casos de Covid-19 que requerem intervenção médica, sem casos relatados entre os participantes que receberam a vacina, 28 dias após esta ter sido administrada.

Embora esta vacina registe resultados inferiores aos observados noutras vacinas autorizadas contra a Covid-19, estes valores estão acima dos limites definidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que estipula que uma vacina contra a Covid-19 deve ter pelo menos 50% de eficácia, para ser considerada útil.

Mathai Mammen, chefe P&D da Janssen Pharmaceutical Companies, esclareceu durante a conferência de imprensa que a vacina também tinha apresentado “resultados de segurança simples”, com a grande maioria dos voluntários a não registar problemas. Grande parte dos sintomas relatados foram leves, incluindo fadiga, dor no braço e febre.

No ensaio, a definição de doença Covid-19 grave incluiu um resultado positivo para a SARS-CoV-2 confirmado em laboratório e um ou mais dos seguintes critérios: sintomas consistentes com doença sistémica grave, admissão numa unidade de cuidados intensivos, insuficiência respiratória, choque, falência de órgãos ou morte, entre outros fatores.

Já a doença Covid-19 moderada foi definida por um resultado positivo para a SARS-CoV-2 confirmado em laboratório e um ou mais dos seguintes critérios: evidência de pneumonia, trombose venosa profunda, falta de ar ou saturação anormal de oxigénio no sangue acima de 93%, frequência respiratória anormal (≥20 ); ou dois ou mais sintomas sistémicos indicativos de Covid-19.

Além disso, a J&J afirma ainda que a vacina é compatível com os canais de distribuição das outras vacinas. Se vier a ser autorizada, esta vacina de dose única deverá permanecer estável por dois anos a -20°C, dos quais pelo menos três meses podem estar a temperaturas de entre 2ºC a 8°C. O seu transporte será feito através de tecnologias de refrigeração que a farmacêutica já utiliza atualmente para transporte de outros medicamentos.

De acordo com uma fonte oficial da Janssen, a companhia farmacêutica do grupo Johnson & Johnson prevê acordar com a Comissão Europeia, para 2021, 200 milhões de doses das quais 27,5% serão entregues durante o 2º trimestre do ano. Para Portugal, o compromisso é de 4,5 milhões de doses para 2021, das quais 1,25 milhões no 2º trimestre do ano.