Adolfo Mesquita Nunes, antigo vice-presidente do CDS e challenger assumido de Francisco Rodrigues dos Santos, entende que não haverá outra oportunidade para resgatar o partido que não esta. Por isso, se o CDS entender que não é este o tempo de mudar de liderança, não será mais candidato à presidência do partido.

Foi essa mesma garantia que deixou em entrevista ao jornal Público. “Se não conseguir ser eleito, não me voltarei a candidatar Isso é o que eu quero deixar claro. Entendo que a única altura, o momento-limite para salvar o CDS é agora”, garante.

“Mais: o momento-limite no qual entendo que consigo inverter o processo de degradação do CDS é este. Portanto, se o partido não quiser, o que é perfeitamente legítimo, o que digo é que não voltarei a candidatar-me porque entendo que deixarei de ter condições de o fazer.”

Desafiado a dizer se, a concretizar-se esse cenário, deixaria o partido, Mesquita Nunes evitou falar sobre esse cenário. “Estou no CDS há mais de 25 anos. Eu sou quem sou, com o talento, a experiência, a personalidade que tenho, mas tenho muito presente na minha vida que devo muito ao CDS. É o meu partido, é o partido onde cresci, onde me fiz político, onde me fiz pessoa. E este gesto de me candidatar a presidente do partido, quando ele está num processo de súbito desaparecimento, é uma demonstração de compromisso com o partido. Não é uma demonstração de abandono do partido.”

Repetindo muitas das críticas que já tinha feito à direção de Francisco Rodrigues dos Santos num artigo de opinião publicado no Observador, o ex-secretário de Estado de Turismo defende que o “CDS não está a saber dar a volta” e faz um apelo à união de todos. “Só vai ser possível resgatar o partido se houver capacidade de todos de esquecermos as guerras e as tendências.”

Confrontado com a crise do partido e com a concorrência à direita protagonizada por André Ventura, Mesquita Nunes cortou a eito: “Chega de falar do Chega. A única forma de de partidos de combaterem partidos indesejáveis é reforçarem a sua votação. Comigo a presidente do CDS chega de falar do Chega.”

Adolfo Mesquita Nunes pede eleições internas no CDS. “Esta direção não será capaz”

Esta entrevista é publicada num momento em que Francisco Rodrigues dos Santos ainda não comunicou a decisão sobre se vai ou não manter-se na liderança do CDS. Para já, a única certeza, tal como explicava aqui o Observador, é a de que será convocado um Conselho Nacional, órgão máximo do partido entre congressos, para discutir a questão.

Na reunião da direção alargada do CDS, que decorreu durante a noite de quinta-feira e que se estendeu até de madrugada, Rodrigues dos Santos não desfez o tabu mas revelou um enorme desgaste.

“Pergunto-me se valerá a pena. Confesso-vos que não sei se tenho disponibilidade para isto. Não sei se o partido merece um sacrifício destes. Nunca fui tratado na vida como estou a ser tratado pelos militantes do CDS. Acho que, mesmo conseguindo inverter a situação, saturei. Se eu tiver a ideia de não continuar, não é pelo artigo do Adolfo Mesquita Nunes. É porque quero sair. É porque não estou para isto”, chegou a dizer.

Neste momento todos os cenários estão em cima da mesa. Inclusive a hipótese de o líder do CDS apresentar uma moção de confiança no Conselho Nacional para revalidar a legitimidade da sua liderança. É bem provável que nos próximos dias Francisco Rodrigues dos Santos faça uma declaração sobre o que pretende de facto fazer.

Francisco Rodrigues dos Santos desabafa: “Se sair é porque não estou para isto. Tem de haver amor próprio”