O grupo Médicos Pela Verdade, que contesta a gravidade da pandemia de Covid-19, suspendeu no domingo as redes sociais e o site do movimento — agora é apenas visível um comunicado com uma mensagem de despedida.

Alfredo Rodrigues, coordenador do grupo, confirmou, numa live de Facebook, que no domingo houve uma reunião entre os membros que “decidiu acabar com o grupo tal como se conhecia”. E justifica o encerramento do movimento pela situação em que alguns elementos estavam: “Alguns membros tiveram de sair devido à perseguição e a sofrimento a que foram vetados”.

O movimento é contra a utilização de máscaras de forma generalizada, contesta a utilização de testes PCR e é contra o isolamento de pessoas assintomáticas. Divulgava os seus artigos através das redes sociais e de artigos de opinião. A Ordem dos Médicos abriu em outubro um processo para investigar o grupo e os seus membros.

“Médicos Pela Verdade”. Ordem abre processo contra movimento que nega a gravidade da Covid-19

O comunicado exposto na página oficial fala num “ambiente concentracionário e repressivo que vem sendo acentuado desde a fundação”, que esbarrou com a vontade do grupo “em divulgar ciência e em expor alternativas” através “de artigos de revisão de trabalhos científicos de alta qualidade”.

Todos, mesmo aqueles que não o querem ou não o sabem ser. Porque a liberdade é como o ar, respira-se; porque o pensamento é livre e porque o verbo é a mais poderosa das armas e o verdadeiro portador da luz, continuaremos do vosso lado doutra forma com outra tática mas sempre com a determinação e coerência que nos caracterizam”, lê-se no comunicado.

O coordenador justifica o término do grupo com o facto de não haver apoio suficiente por parte dos cidadãos. “Chegámos ao limite do sofrimento”, diz, acrescentando que “havia médicos na linha da frente” a lutar pelos seus ideais, “mas a esmagadora maioria dos membros do grupo falhou sempre, quando era necessário estar presente”. “Tendo em conta o desgaste e os resultados que obtivemos junto à população vamos ter de repensar a nossa forma de estar”, revela.

Houve também uma “lição” a ser retirada desta experiência para Alfredo Rodrigues, que diz que a “ditadura” em Portugal ainda não acabou, considerando que o Governo trata de maneira “totalitária e autoritária” os cidadãos. “Esta nação não é uma nação, é uma amálgama de gente em que cada um faz o que puder para lixar o próximo”, diz o coordenador, que dá conta de que há pessoas “a perseguir outros que não usam máscaras”. “Não querem saber o que está por detrás desta loucura, obedecem cegamente e aproveitam este apoio dado pelas autoridade”, afirma.

No entanto, Alfredo Rodrigues acredita que o grupo vai continuar, mas a repensar “a forma de estar na crise”. Anunciou ainda que vai haver uma reunião na próxima semana para decidir “o que vai acontecer, se é que vai acontecer alguma coisa” ao Médicos Pela Verdade.

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