A autoridade de saúde francesa (HAS, Haute Autorité de Santé) atualizou a orientação sobre a vacinação de quem já esteve infetado com Covid-19, recomendando apenas uma dose da vacina, como se lê no comunicado da instituição. A Organização Mundial de Saúde alerta, no entanto, que não existem estudos que mostrem que uma única dose pode servir como reforço da imunidade de quem esteve infetado.

Para aqueles que estiveram infetados, mas que sejam imunodeprimidos (com um sistema imunitário enfraquecido), continuam a tomar as duas doses da vacina.

Em Portugal, dá-se uma recomendação semelhante à francesa em relação à vacina da Oxford/AstraZeneca. “Se foi administrada a primeira dose a uma pessoa que tenha estado infetada por SARS-CoV-2, não deve ser administrada a segunda dose”, lê-se no documento da Direção-Geral da Saúde (DGS).

A DGS também recomenda, para qualquer uma das três vacinas aprovadas que “se, após a primeira dose, for diagnosticado Covid-19, não deve ser administrada a segunda dose”. Em França, por outro lado, caso isto aconteça, a recomendação é que a segunda dose seja dada não ao fim do tempo previsto (como 21 ou 28 dias, nos casos da Pfizer ou Moderna), mas passados três a seis meses.

França recomenda dose única da vacina. “A DGS devia tomar uma posição”

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A autoridade francesa também alargou o intervalo entre a infeção com o vírus e a vacinação que estava previsto ser de pelo menos três meses para o mais próximo possível dos seis meses após o fim dos sintomas, por considerar que durante este período as pessoas mantém a resposta imunitária.

Em França, mesmo as pessoas que já estiveram infetadas, vão ser vacinadas de acordo com o esquemas de prioridade. Em Portugal, quem já esteve infetado com o SARS-CoV-2 não foi incluído na primeira fase da campanha de vacinação.

OMS mantém recomendação de duas doses

A Organização Mundial da Saúde (OMS) mantém a orientação da toma de duas doses das vacinas para a Covid-19, apesar de a autoridade sanitária francesa ter recomendado esta sexta-feira a administração de uma dose às pessoas que já estiveram infetadas.

Na habitual videoconferência de imprensa sobre a evolução da pandemia da Covid-19, a cientista-chefe da OMS, Soumya Swaminathan, disse, respondendo a uma pergunta sobre a recomendação francesa, que “as diretrizes” da organização continuam a ser o uso de duas doses, apesar de os países procurarem “otimizar” a inoculação perante a “escassez de vacinas”.

Soumya Swaminathan assinalou que são necessários “mais estudos” para se perceber se a primeira dose pode atuar como “um reforço” da imunidade à Covid-19 para as pessoas infetadas, que desenvolveram naturalmente anticorpos contra o novo coronavírus, o SARS-CoV-2.