O Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) disse que o ex-primeiro-ministro Aristides Gomes esteve refugiado na sede das Nações Unidas por recomendação da organização e da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO).

Aristides Gomes esteve refugiado na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Bissau, quase um ano, na sequência da sua demissão do cargo pelo atual Presidente guineense, Umaro Sissoco Embaló, tendo deixado o país a semana passada.

Num comunicado enviado esta segunda-feira à comunicação social, a comissão permanente do PAIGC precisou que Aristides Gomes esteve refugiado na sede das Nações Unidas por “recomendação da ONU, conjuntamente com as forças da Ecomib então estacionadas no país, na sequência da análise de risco da sua segurança levada a cabo”.

A direção do PAIGC reconhece e enaltece a intervenção do sistema da ONU, nomeadamente do representante do secretário-geral da ONU para a África Ocidental e Sahel, Mohamed Ibn Chambas, sob a coordenação da presidência da CEDEAO e particular supervisão de Nana Akufo-Affo, Presidente do Gana” e que assume a presidência da organização da África Ocidental, lê-se no comunicado.

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Segundo o PAIGC, o gesto da ONU e da CEDEAO é avaliado pelo partido como “contributo fundamental para o combate à justiça seletiva na Guiné-Bissau”.

Aristides Gomes saiu na sexta-feira da sede das Nações Unidas em Bissau, onde se encontrava refugiado há cerca de um ano, por, segundo os seus advogados, temer pela sua segurança.

O Governo liderado por Aristides Gomes foi demitido um dia depois de Umaro Sissoco Embaló assumir a Presidência da Guiné-Bissau, em 27 de fevereiro de 2020, numa iniciativa que o então primeiro-ministro considerou como um golpe de Estado.

Na quinta-feira, a Procuradoria-Geral da República ouviu, nos autos, o antigo primeiro-ministro, na presença dos seus advogados e emitiu uma nota a informar que autorizou a sua saída do país mediante uma medida de coação de Termo de Identidade e Residência.

A Procuradoria informou que correm, contra Aristides Gomes, processos-crimes a que terá que responder assim que for convocado e após o tratamento médico no estrangeiro.