Uma “estrada de sentido único para a liberdade”. Foi que Boris Johnson definiu, na conferência de imprensa no final da tarde desta segunda-feira, o plano de desconfinamento previsto para Inglaterra. Escolas e faculdades reabrem dia 8 de março e espera-se “quatro etapas” que duram até ao verão. Até lá, o país tem de ser “humilde” em função da “natureza” e por isso, tendo em conta que os níveis de infeção “ainda estão altos”, vão ter de se manter as medidas mais restritivas. Mas o primeiro-ministro britânico também antevê que a “primavera e o verão” sejam “estações de esperança”.

Boris Johnson salientou que a estratégia é baseada em “dados, não datas”, de forma a “gerir cautelosamente, mas irreversivelmente” o país para o fim do confinamento decretado em janeiro. Quanto a quem “quer adiantar o calendário” do desconfinamento, o primeiro-ministro britânico considera que o país não pode chegar a uma situação idêntica à de início de janeiro.

O Reino Unido também divulgou que a proibição de viagens ao estrangeiro e restrições à entrada no país vão continuar pelo menos até 17 de maio.

Primeira etapa começa a 8 de março — mas a regra continua a ser ficar em casa

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

A primeira fase do desconfinamento arranca a 8 de março, daqui a duas semanas. A essa data, todas as escolas e universidades vão reabrir. Boris Johnson, na conferência de imprensa desta segunda-feira,  justificou a opção: “Todas as evidências mostram que as escolas são lugares seguros e o efeitos da Covid-19 são pequenos”. Anunciou também que os alunos do secundário e da universidade serão testados duas vezes por semanas e terão de usar máscara na sala de aula.

Nesta etapa, também vai ser permitido fazer exercício e encontrar-se com uma pessoa de outro agregado familiar, além de os funerais passarem a terem 30 pessoas (os casamentos poderão ter seis convidados).

No entanto, continua a ser obrigatório ficar em casa, a não ser para as exceções previstas.

Segunda etapa começa a 29 de março

Nesta altura, o governo britânico espera já ter administrado a primeira dose da vacina contra a Covid-19 a todos aqueles com mais de 70 anos e aqueles com sofrem de comorbilidades. Por isso, vai diminuir as restrições.

Assim sendo, poder-se-ão juntar dois agregados familiares em espaços exteriores, mas o número de pessoas juntas não pode superar os seis. Isto significa que, no domingo de Páscoa, pode haver encontros ao ar livre das famílias e os recintos desportivos abertos também podem voltar a receber pessoas. Neste dia, a restrição de circular entre concelhos deve acabar nesta primeira etapa do desconfinamento.

Reino Unido acelera vacinação prevendo abranger todos os adultos até agosto

A terceira etapa já prevê a reabertura de vários serviços, mas não deverá ser antes de 12 de abril

Relativamente à terceira fase, não há qualquer data definida, estando dependente de vários fatores. No entanto, o governo britânico não antevê que seja antes de 12 de abril.

A partir dessa data, ginásios, bibliotecas, cabeleireiros, esteticistas, retalho, restaurantes ao ar livre e hóteis poderão reabrir. Também vai ser permitido estadias em hóteis, mas em outras partes do território britânico — as viagens ao estrangeiro ainda são proibidos por esta altura.

Cinemas e talvez a Premier League com adeptos. Planos para maio

Já em maio, se a situação epidemiológica se mantiver favorável, vai haver um cheirinho a normalidade em Reino Unido.

Cinemas e teatro poderão reabrir e também poderá haver concertos, se bem com uma redução no número de lugares. Os limites dos ajuntamentos também deverão ser revistos; poderão estar 30 pessoas sem limites de agregados familiares nos espaços ao ar livre, sendo que dentro de casa poderão estar seis pessoas de dois agregados diferentes.

As viagens ao estrangeiro poderão ser uma realidade, mas essa decisão estará dependente de vários fatores.

Além disso, a liga inglesa de futebol poderá voltar a ter público nos estádios na última jornada da atual temporada, no final de maio, com o limite máximo de 10.000 espetadores por recinto.

Não há uma data concreta para esta etapa do desconfinamento, mas não será antes de 17 de maio.

Com o verão acabam as restrições

Segundo o plano britânico, será no verão que a vida poderá regressar mais ou menos à normalidade. Não haverá qualquer limite de junção de pessoas, nem eventos, nem em concertos. Os espaços noturnos também deverão abrir.

Por agora, o governo de Boris Johnson expecta que não seja antes de 21 de junho que poderá dar início a esta etapa. “A primavera e o verão serão estações de esperança. E já não vamos voltar atrás”, sentenciou o primeiro-ministro britânico.

Um terço da população do Reino Unido já recebeu a primeira dose da vacina

Boris Johnson, na conferência de imprensa, considera que o processo de acinação, feita pelo “extraordinário sistema de saúde britânico”, é “um processo sem paralelo de empenho nacional que virou o jogo a nosso favor. Já não temos que nos basear em lockdowns, pôr a nossa vida em suspenso para lutarmos contra o vírus. O programa de vacinação está a proteger a população”, afirmou.

O aliviar de restrições no Reino Unido é permitido porque os dados sugerem que a situação tem vindo a evoluir favoravelmente: já foram vacinadas 17.582.121 pessoas com a primeira dose, o que corresponde a um terço da população, e os internamentos nos hospitais estão em queda, com uma diminuição de 20 por cento em relação à semana anterior. E no domingo, o número de novos casos de infeção por Covid-19 foi de 9.834 e houve mais 215 mortes.

O secretário geral da Saúde, Matt Hancock, afirma que já é visível a eficácia das vacinas, anunciando que um em cada três adultos já recebeu a vacina. Os casos estão a cair de forma acentuada nos últimos dias, revela ainda um briefing de dados de Sir Patrick Vallance e do professor Chris Whitty aos ministros. Apesar do otimismo, o primeiro-ministro do Reino Unido não escapa à pressão da bancada conservadora, que quer ver acelerado a abertura dos restaurantes e pubs até ao dia 15 de abril.

Entre os que apoiam esta medida estão Mark Harper e Steve Baker, o presidente e vice-presidente do cético Covid Recovery Group. “À medida que recebemos notícias cada vez melhores sobre o ritmo da implementação da vacinação, o público tem que ver este sucesso e o seu sacrifício traduzido no retorno à vida normal, enquanto protegemos aqueles que são vulneráveis ​​à Covid com a vacina.”

Harper defende também que todas as restrições legais “desapareçam” até ao final de abril — o que diverge com o plano do primeiro ministro—, fundamentando que todas as pessoas com mais de 50 anos serão vacinadas em abril.

Notícia atualizada às 20h05 com as declarações de Boris Johnson