O presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, defenderam que a União Europeia (UE) deve aumentar a capacidade para “agir autonomamente”, mas mantendo-a dentro do quadro da NATO.

“Temos de aumentar a nossa capacidade para agir autonomamente e fortalecer a nossa cooperação com os nossos parceiros. Estamos empenhados em cooperar mais estreitamente com a NATO: uma Europa mais forte, torna a NATO mais forte“, declarou Charles Michel em conferência de imprensa após a conclusão do segundo dia da cimeira europeia.

Numa reunião que contou, na primeira parte, com a participação do secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO, na sigla em inglês), Jens Stoltenberg, Ursula von der Leyen realçou que a cooperação entre a NATO e a UE se mantém uma “prioridade” para a Comissão.

Tivemos uma excelente troca de impressões com Stoltenberg. Ele referiu os diferentes desafios e ameaças que enfrentamos e, em algumas matérias, respondemos a esses desafios através da NATO (…) mas há outros cenários em que a NATO não está envolvida e onde é pedida a intervenção da UE“, sublinhou a ex-ministra de Defesa alemã.

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Frisando assim que a UE tem de ser capaz de lidar com essas operações, Von der Leyen apontou que o bloco deve “desenvolver as suas próprias capacidades, parar com a fragmentação que existe atualmente” entre as diferentes capacidades militares dos Estados-membros e “desenvolver sistemas interoperáveis” na UE.

Temos a indústria, temos o conhecimento, agora o que precisamos é colocar a inovação e o talento ao serviço de capacidades europeias comuns: isto irá reduzir a fragmentação e a aumentar a interoperabilidade”, realçou.

Já Charles Michel, aludindo às declarações do Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, que, na conferência de segurança de Munique na semana passada, disse que a “América está de volta“,  referiu que a UE “está pronta para cumprir a sua parte” e tornar-se num “parceiro forte e credível”, não apenas para os Estados Unidos, mas também para as “Nações Unidas e os parceiros regionais”. “Queremos aprofundar a cooperação entre Estados-membros na área da defesa e da segurança, queremos aumentar o investimento na defesa, queremos melhorar as capacidades militares e civis, e a preparação operacional”, realçou.

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Interrogado sobre se a ambição de autonomia estratégica da UE é incompatível com uma cooperação reforçada com a NATO, Charles Michel referiu que o debate que os líderes dos 27 tiveram sobre defesa foi “muito útil” porque tornou claro que há uma “abordagem dupla” que deve ser mantida.

Há vontade de reforçar a capacidade da UE em agir de maneira autónoma, mas em fazê-lo tomando em consideração o desejo de sermos um ator comprometido, leal, fiável, no âmbito das nossas parcerias estratégicas, incluindo com a NATO”, defendeu.

O presidente do Conselho Europeu destacou assim que uma “UE mais forte e mais robusta torna a NATO mais forte” e que uma “NATO mais forte e mais robusta” torna, por sua vez, a “UE mais forte e mais sólida”.

Os dois líderes das instituições europeias falavam após a cimeira europeia onde os chefes de Estado e de governo dos 27, nas conclusões, manifestaram-se “empenhados” em aumentar a “capacidade da UE de agir de forma autónoma”, ressalvando que o bloco tem de assumir “maior responsabilidade pela sua segurança”.

No que diz respeito especificamente à segurança e à defesa, queremos promover os interesses e valores da UE, bem como a sua resiliência e a sua preparação para combater eficazmente todas as ameaças e desafios à segurança. Reafirmamos que, face à crescente instabilidade no mundo, a UE tem de assumir uma maior responsabilidade pela sua segurança“, lê-se nas conclusões.