A enviada das Nações Unidas para Myanmar (antiga Birmânia), Christine Schraner Burgener, disse esta sexta-feira ao Conselho de Segurança que a “repressão deve acabar”, sem, no entanto, pedir sanções internacionais contra a junta militar, conforme mencionado na quarta-feira.

“A vossa união é precisa mais do que nunca em Myanmar”, acrescentou durante uma reunião do Conselho de Segurança, realizada à porta fechada, segundo o seu discurso distribuído à imprensa.

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A enviada recordou o pedido feito há uma semana à comunidade internacional para não “dar legitimidade nem reconhecimento” ao regime que executou um golpe militar em 1 de fevereiro.

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Segundo diplomatas, citados pela AFP sob anonimato, nenhuma declaração conjunta do Conselho de Segurança vai ser divulgada esta sexta-feira. As fontes referiram, todavia, que na próxima semana se realizarão negociações sobre um projeto de texto de resolução a apresentar pelo Reino Unido.

Segundo o seu discurso distribuído à imprensa, Burgener defendeu “ser preciso agir agora”, que o “regresso ao isolamento vai trazer sofrimentos económicos e políticos que as pessoas não merecem” e que as “implicações regionais são iminentes”, pedindo ao Conselho de Segurança para ouvir os “apelos desesperados” dos birmaneses.

“O tempo para meias medidas já passou. O futuro de Myanmar, como um Estado próspero, estável, unificado e aberto, não pode ser construído na supressão ou exclusão das suas minorias ou comunidades vulneráveis”, continuou a enviada, evocando o destino da minoria muçulmana rohingya, vítima em 2017 de um “genocídio”, segundo a ONU.

Na quarta-feira, em conferência de imprensa, Christine Schraner Burgener apelou aos “Estados-membros da ONU a adoção de medidas muito fortes”, especificando que manteve uma discussão com o exército birmanês para alertar que “o Conselho de Segurança poderia tomar medidas importantes e fortes”.

Segundo a enviada, a resposta do exército birmanês foi: “Estamos habituados. Já sobrevivemos a sanções no passado”.

A organização não-governamental Human Rights Watch exigiu esta sexta-feira em comunicado que o Conselho de Segurança decida sobre uma “ação real” com “sanções dirigidas aos líderes militares responsáveis pelo derramamento de sangue” em Myanmar, e “um embargo às armas”.