Foram centenas as pessoas que se reuniram esta segunda-feira nas ruas de Viseu para a última despedida a António Joaquim Almeida Henriques, o autarca que morreu este domingo, aos 59 anos, depois de ter sido internado nos cuidados intensivos do Hospital de São Teotónio, com Covid-19, no passado dia 10 de março.

As ruas do centro da cidade, junto à Praça da República, foram cortadas entre as 15h e as 17h, para deixar passar o cortejo, único momento público das cerimónias fúnebres que decorreram apenas entre família e amigos.

Transportada num carro antigo descapotável dos Bombeiros Sapadores de Viseu, a urna foi aplaudida ao longo de todo o percurso, entre o hospital e o cemitério velho da cidade, com uma paragem junto ao Rossio, nome por que é vulgarmente conhecida a Praça da República, morada da Câmara Municipal, onde foi observado um minuto de silêncio.

Um momento que contou com a passagem de aeronaves do Aero Clube de Viseu, a prestar igualmente homenagem ao autarca que assumiu a presidência da Câmara de Viseu em 2013, aquando da sua primeira candidatura, e que agora será substituído até ao final do mandato, por Conceição Azevedo, até aqui vice-presidente.

Cerimónias fúnebres de Almeida Henriques

Posted by Viseu Now on Monday, April 5, 2021

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

“Profunda homenagem a um amigo, homem bom que lutou pela sua terra, pelos valores da descentralização, da democracia, do desenvolvimento de uma terra em que acreditou. Ao longo de 20 anos em que mantive contacto muito próximo, manteve sempre um parceiro leal, construtivo, sempre a olhar para o futuro”, disse o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, que no Rossio lembrou o percurso político do autarca e os encontros que foram tendo, explicando que, apesar de estarem em posições partidárias diferentes, foi “sempre muito próximo”.

“Até há poucas semanas trocámos sempre mensagens, olhando para os projetos, que eram sempre muitos”, e aquilo que ele defendia para “o futuro desta região e da cidade de Viseu” contou o ministro aos jornalistas.

A ministra da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa, admitiu estar no Rossio, a “prestar homenagem enquanto amiga e governante”, tendo em conta “o privilégio de trabalhar muitos anos” com Almeida Henriques, lembrando a altura em que ele foi seu secretário de Estado (sendo ela presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro).

“Infelizmente é mais uma perda desta pandemia e eu gostava de partilhar uma reflexão: vale a pena estas discussões demagógicas que temos, nomeadamente, dos presidentes de Câmara, que são os responsáveis da proteção civil dos seus concelhos, se devem ou não devem ser vacinados”, disse Ana Abrunhosa.

E acrescentou: “Muitas vezes, num período de verdadeira guerra, perdemos tantas vezes tempo e oportunidade de discutir o importante e gastamos esse tempo a discutir inutilidades”, sustentou, desejando que o sucessor de Almeida Henriques “continue a fazer de Viseu a melhor cidade para se viver”.

Ana Abrunhosa lembrou que “era um homem de família e de paixões na vida pública e privada” e, por isso, apresentou a sua homenagem, até, porque, “era um homem que sabia fazer pontes como poucos e a prova é que estão aqui pessoas de todos os quadrantes políticos”.

“A minha homenagem pública a Almeida Henriques, que dedicou uma grande parte da sua vida ao serviço público (…) e, com tudo o que aconteceu, faz-nos pensar que temos de cumprir as regras”, pois “esta doença é extraordinariamente perigosa”, disse, por seu lado, o presidente do PSD.

Morreu Almeida Henriques, vítima de Covid-19. Marcelo lembra “um homem bom”

Rui Rio alertou “mais uma vez a população portuguesa” para o “cumprimento das regras e comportamento individual” de todos, lembrando que hoje o país atingiu “o limite do denominado “R”, o valor um e a partir daqui é uma linha vermelha” e, portanto, o país está “longe de estar sossegado”.

O secretário de Estado do Desporto, João Paulo Rebelo, viseense e vereador não executivo da oposição, no primeiro mandato de Almeida Henriques na Câmara de Viseu, não escondeu a “posição especial” e “a consternação imensa” com que se encontrava no Rossio, lembrando o percurso político de ambos ao longo dos anos, “particularmente no último ano, no combate à pandemia covid-19.

João Paulo Rebelo considerou que “todos os viseenses estão de luto, independentemente das suas opções políticas e partidárias”.

“Foi um sonhador, fazedor e lutador” e “partiu como viveu, a lutar”

Do Rossio, repleto de autarcas e outras figuras públicas, a urna seguiu depois para o cemitério de Abraveses, onde era esperado o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa, para uma cerimónia privada e, depois, uma missa de exéquias fúnebre, que não de corpo presente, às 18h30, na Sé de Viseu.

“O presidente António Almeida Henriques foi um sonhador, foi um fazedor e foi um lutador ao longo de toda a vida. A nível nacional, como grande autarca, como grande presidente da Câmara sonhou, fez, lutou, partiu como viveu, a lutar”, disse o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, à entrada da missa de exéquias fúnebres, após ter participado nas cerimónias no cemitério de Abraveses.

“Depois fez o que é raríssimo em Portugal, que é largar um lugar importante no Governo nacional, cheio de futuro, para se candidatar a uma câmara municipal e fazer obra, percebendo que o poder local é tão ou mais importante do que o poder nacional e construindo aqui Portugal e servindo Portugal, servindo Viseu”, continuou.

No entender de Marcelo Rebelo de Sousa, António Almeida Henriques “é um exemplo muito raro de espírito de doação, de espírito democrático e de espírito fraternal” e “era naturalmente um homem de convergências”.

“Convergências entre pessoas diferentes, ideias diferentes, maneiras diferentes de ver a vida e o mundo. Passou toda a vida a fazer convergências, não deixando de sonhar, de realizar e de lutar. É essa a imagem que fica e por causa daquilo que foi é que Viseu o homenageou hoje como homenageou”, defendeu.

O presidente da Câmara de Viseu, António Almeida Henriques, morreu este domingo aos 59 anos, vítima de complicações respiratórias decorrentes da covid-19. O autarca social-democrata foi diagnosticado com Covid-19 no início de março, altura em que foi internado no Hospital de São Teotónio, em Viseu. A Câmara de Viseu decretou três dias de luto municipal, até esta terça-feira.